Santander

Adolescentes encontram uma estrela-guia

Com o projeto Olhando para o Futuro, o Educandário de Pinhal conseguiu o apoio que precisava para oferecer oportunidades a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa

Fotos: Sara Ferriani
Divulgação 17/10/2019

A indiferença pode ser o caminho mais fácil. Diante de situações que demandam solução trabalhosa, uma decisão errada pode afastar da sociedade jovens vidas que ainda não experimentaram o seu potencial. O Educandário de Pinhal, em Espírito Santo do Pinhal (SP), pegou o problema para si. Com o Projeto Olhando para o Futuro, a instituição se dedica à reinserção social de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa.

Em 2018, Eduardo*, de 17 anos, viveu a experiência de ouvir da juíza da comarca que passaria seis meses cumprindo atividades programadas e tendo seu dia acompanhado de perto. O pai havia falecido e a mãe criou o menino e os quatro irmãos. “Eu vivia na rua”, diz. No Educandário, se deparou com atividades que estavam longe da sua realidade até então. Começou o curso de informática e depois o de customização de móveis. Voltou para a escola. Teve acompanhamento psicoterapêutico individual e em grupo. “O atendimento me ajudou a sair da rua”, conta.

Construindo um futuro

No programa, esses jovens encontraram com quem falar sobre suas incertezas, medos e conflitos. No entanto, faltava oferecer alternativas concretas para a construção de um futuro. “Inscrevemos o projeto Olhando para o Futuro no Amigo de Valor e conseguimos apoio para a implantação de cursos profissionalizantes, oficinas, reforma das salas e compra de equipamentos e materiais”, explica a coordenadora Geiza Ferrari Miranda. “Com o apoio financeiro arrecadado pelo programa, reformamos o prédio, montamos um salão de beleza completo, instalamos salas bem equipadas com computadores e espaço para aula de artesanato”, completa.

Os cursos de informática básica, automaquiagem, barbeiro e customização de móveis têm parcerias com o Senac e a escola profissionalizante To Be! More, que enviam os professores e fornecem o material. A nova estrutura do projeto encoraja os alunos a se envolverem em atividades que antes pareciam inacessíveis.

Criando oportunidades

Quando o adolescente chega, depois da decisão judicial, o primeiro passo é a conversa em família. A partir daí a equipe monta o plano de atividades, que envolve uma rede de atendimento com assistentes sociais, psicólogos, pedagogos e especialistas em apoiar dependentes químicos e seus familiares.

De acordo com Geiza, dos 44 participantes do projeto, apenas 15 estão na escola. “Tentamos encaminhar para o Ensino de Jovens e Adultos (EJA), mas são adolescentes com dificuldade de frequentar a escola por apresentarem problemas comportamentais”, explica a coordenadora. A equipe então procura tomar todas as medidas que criem oportunidades para os jovens. “Cuidamos de documentação, saúde, cadastramos em programas de estágio e encaminhamos os rapazes para alistamento militar”, explica. O desempenho dos alunos é acompanhado e representantes do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) visitam o projeto para avaliar a evolução.

Muitos participantes criam um vínculo com a instituição e, depois de cumprirem a medida, voltam para fazer os cursos. Fabiana* voltou. Ela tem 18 anos e terminou o ensino médio. Há dois anos, chegou para cumprir medida judicial. “Eu e minha irmã mais nova vivemos com minha avó. Meu pai faleceu e minha mãe está presa”, ela conta. “Via a situação da minha avó, sozinha, tendo que cuidar de tudo, e tentei ajudar, mas da forma errada.” Continuou no projeto para fazer os cursos de informática e automaquiagem. Sente-se mudada, os pensamentos estão longe dos velhos tempos. “Quero arrumar emprego para ajudar minha avó. As reuniões em grupo me ajudaram a ver diferente.”

*Nomes fictícios, usados para preservar a identidade dos adolescentes.