Santander

A Amazônia tem pressa: experiências empreendedoras

Evento promovido pelo Santander e pela TNC debateu caminhos para empreender de forma sustentável e responsável na Amazônia.

A Amazônia abriga a maior bacia hidrográfica do planeta, 2,5 mil espécies de árvores e 30 mil espécies de plantas que influenciam o suprimento de água e de oxigênio no Brasil e no mundo. Sua importância vai muito além. A floresta sustenta a vida de incontáveis espécies animais e fornece alimentos, medicamentos e matéria-prima para o nosso consumo, além de guardar um patrimônio cultural gigantesco. Os desafios, contudo, são proporcionais à sua importância para a humanidade.

O maior bioma do país convive com conflitos fundiários, explorações ilegais de suas riquezas e com a pressão do atual modelo de produção agropecuária e dos grandes projetos de infraestrutura em implantação ou previstos para os próximos anos. Os indicadores socioeconômicos, por sua vez, mostram que a forma de produção e a política de desenvolvimento adotadas na região não se refletem, ainda, em oportunidades de emprego, aumento de renda e melhoria da qualidade de vida população local. Para conhecer melhor esses indicadores, leia o estudo Amazônia Legal – Novas formas de produzir, elaborado pelo departamento econômico do Santander.

Para fazer frente a esse cenário e avançar na construção de uma visão integrada do território, o Santander e a TNC (The Nature Conservancy) promoveram o encontro “A Amazônia tem pressa: experiências empreendedoras”. Realizado em 3 de setembro de 2018 no Auditório Santander, em São Paulo, o evento reuniu mais de 200 representantes de empresas, governos e organizações da sociedade civil para debater caminhos para empreender de forma sustentável e responsável na região.

Foi o segundo diálogo sobre Amazônia convocado pelo Santander e pela TNC. O primeiro aconteceu em 2017, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Saiba mais sobre ele aqui.

Um conceito mais amplo de desenvolvimento

Este ano, a agenda do encontro contou com dois painéis compostos por empreendedores que atuam na região. O primeiro deles trouxe experiências que promovem as comunidades como guardiãs da floresta, ao mesmo tempo em que desenvolvem o empreendedorismo como mecanismo para alavancar a geração de renda.

Mediada por André Guimarães, diretor executivo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o painel contou com a presença de três organizações que trabalham com esse enfoque na região: a Coopatrans (Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica), a Associação Tapajós-Arapiuns e o Centro de Empreendedorismo da Amazônia.

O segundo painel, moderado pela ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Geixeira, reuniu três executivos de empresas que desenvolvem grandes projetos de infraestrutura na Amazônia: André Clark, presidente da Siemens, Evandro Vasconcelos, vice-presidente de Geração da CTG Brasil e Guilherme Quintella, presidente da EDLP (Estação da Luz Participações). Eles contaram como suas empresas têm trabalhado na região, buscando o diálogo para o desenvolvimento sustentável.

Propostas concretas

Na abertura do evento, Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil e co-chair do LACC (Conselho de Conservação da América Latina), fez uma correlação entre o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na véspera do evento, e o descaso que coloca em risco a perpetuação da integridade do bioma Amazônia. E convocou o envolvimento de lideranças da sociedade na mudança dessa realidade.

Rial apresentou a proposta de criar um fundo de investimentos soberano para que o país possa vencer a dificuldade de recursos para investir em desenvolvimento. Propôs, ainda, que se estabeleça um diálogo com os demais países da região para planejar, em conjunto, políticas públicas.

Durante o evento, foi divulgado o documento Mudanças climáticas: riscos e oportunidades para o desenvolvimento do Brasil, com as propostas da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura aos candidatos às eleições de 2018.  Formada por 170 associações empresariais, empresas e organizações da sociedade civil, a Coalizão é a maior articulação multissetorial dedicada à promoção da economia de baixo carbono no Brasil.

Visão integrada do desenvolvimento

A superintendente executiva de Relações Institucionais do Santander, Patrícia Audi, defendeu que os planos de desenvolvimento para a Amazônia tenham uma governança que inclua os diferentes atores que lá atuam. Essa governança, segundo ela, deve considerar as prioridades locais, atribuir responsáveis, recursos e mecanismos de monitoramento das múltiplas atividades existentes na região.

Encerrando o evento, Santiago Gowland, vice-presidente executivo de Inovação Global e diretor executivo para a América Latina da TNC, reforçou a necessidade de uma plataforma de ação que promova uma transformação sistêmica e, ao mesmo tempo, construa caminhos para o empreendedorismo e atenda às necessidades de fomento social, econômico e ambiental da região.

No encontro, também foi apresentado o “Atlas Tapajós 3D: Desenvolvimento, Meio Ambiente e Bem-Estar Humano na Bacia Do Tapajós” desenvolvido pela TNC (The Nature Conservancy). Criado a partir de uma pesquisa que consolidou dados ecossistêmicos da bacia rio Tapajós e informações econômicas e sociais, o Atlas permite uma visão integrada dos 74 municípios do Mato Grosso, Pará e Amazonas que são banhados pelo rio Tapajós. O trabalho contribui para o planejamento da conservação da bacia e dos investimentos a serem feitos na região.

Leia a cobertura completa do encontro