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rapaz com braços abertos refletindo

De um lado, o endividamento do brasileiro segue em trajetória de crescimento. Do outro, uma parte da população se prepara para aumentar seus gastos com as promoções da Black Friday. O que explica uma conta que parece simplesmente não fechar?

A um mês da Black Friday (neste ano, a data comercial será no dia 28 de novembro), os números do varejo apontam para uma previsão de vendas acima das registradas em 2024. O comércio eletrônico brasileiro deve movimentar R$ 13,34 bilhões durante a Black Friday 2025, segundo projeção da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM). Se confirmada a cifra, representará uma alta de 14,74% em comparação ao ano passado, quando o setor atingiu R$ 11,63 bilhões em vendas.

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Ainda segundo a ABIACOM, a previsão é chegar a cerca de 16,5 milhões de pedidos neste ano (ante a 15,75 milhões de 2024). Já o valor médio de venda (o ticket médio) deve alcançar R$ 808,50, contra R$ 738 verificados no ano anterior. A entidade calcula que haverá um aumento nas vendas da ordem de R$ 9,08 bilhões, acima dos R$ 7,93 bilhões de 2024.

“O consumidor está cada vez mais atento às promoções e utiliza a Black Friday como oportunidade para antecipar as compras de Natal, garantindo economia e conveniência. Para os lojistas, o período é estratégico para aumentar o faturamento e fortalecer o relacionamento com os clientes”, declarou Fernando Mansano, presidente da ABIACOM, por meio de nota.

O interesse maior dos consumidores, segundo a associação, deve ser pelos segmentos de eletrônicos, moda, beleza, brinquedos e eletrodomésticos. “A Black Friday deixou de ser apenas um dia de descontos e se transformou em um marco do varejo digital, influenciando o desempenho de todo o fim de ano. As empresas que se planejarem bem terão a chance de ampliar vendas e conquistar novos consumidores”, disse Mansano.

DÍVIDAS E MAIS DÍVIDAS

Ao mesmo tempo que a projeção da ABIACOM é que os brasileiros atinjam em 2025 um ticket médio mais alto - portanto, mais gastos -, o país enfrenta números alarmantes de endividamento e de inadimplência.

Dados mais recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), obtidos a partir da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), revelam que 30,5% das famílias brasileiras estavam com dívidas em atraso em setembro. Este é o maior patamar da série histórica, iniciada em 2010.

PROBLEMA DE CAIXA
Ainda segundo a Peic, da CNC, se atingiu o maior nível de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso e, portanto, seguirão inadimplentes: num total de 13%. A pesquisa "aponta um quadro de crescente fragilidade financeira".

Os dados da Confederação mostram também que 48,7% das famílias com dívidas em atraso estão nesta situação há mais de 90 dias. Segundo Fabio Bentes, economista-chefe da entidade, o número é reflexo do " agravamento dos prazos de inadimplência e o efeito dos juros sobre o montante a ser pago".

A Peic considera como dívidas as contas a vencer no cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e de casa.

ENDIVIDAMENTO NÃO INIBE O CONSUMO

“O alto nível de endividamento não é capaz de inibir o consumo do Brasil porque a dívida e o consumo fazem parte da mesma engrenagem cultural e econômica. Do ponto de vista econômico, essa aparente contradição vai ser explicada pela combinação dos fatores em que o crédito continua amplamente disponível. Por exemplo, com a possibilidade de acessar cartões de crédito dos bancos digitais facilmente. Além disso, existe uma pressão de consumo acumulada”, analisa Lai Santiago, planejadora financeira comportamental.

A especialista explica que, muitas vezes, as pessoas passam por anos com restrições financeiras, na busca pela organização do orçamento e de olho nas oportunidades de economizar para sair da situação que coloca o endividamento pressionando a renda.

“Mas, quando chega esse período (da Black Friday), chega também um marketing muito agressivo, trazendo a sensação de que se trata de uma oportunidade única. Isso reduz a percepção de risco ao orçamento. O endividamento faz parte do dia a dia do brasileiro e, por isso, acaba sendo naturalizado”, completa Lai.

A VÁLVULA DE ESCAPE DO CONSUMO

Planejador financeiro CFP pela Planejar, Carlos Castro lembra que, durante a pandemia, muitas pessoas passaram a poupar, mesmo que de forma forçada, já que não podiam sair de casa para gastar ou, quando optavam pela compra on-line, havia um foco em levar para casa bens duráveis. Ou seja, havia uma preocupação em se economizar. Mas, com o passar do tempo e a volta à normalidade, houve o que o especialista chama de “aspecto psicológico ou comportamental’. Muitos viam nas compras uma espécie de válvula de escape.

“Agora, esse comportamento vem piorando porque as pessoas acabam gastando mais, até por conta de aspectos emocionais, infelizmente. Como sabemos, a saúde mental vem se agravando e tem relação com a saúde financeira. As pessoas estão mais endividadas e não conseguem pagar essas dívidas. Com isso, muitos descarregam esse sentimento no consumo desenfreado como forma de aliviar os problemas. Costumo dizer que vivemos um burnout financeiro”, pontua Castro.

 

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