Investir no mercado de ações tem se tornado mais acessível no Brasil. No entanto, muitos investidores se sentem inseguros ou não dispõem de tempo para analisar ativos individualmente.
Para essas pessoas, os fundos de ações são uma das principais portas de entrada para a renda variável, unindo potencial de retorno e praticidade.
Mas o que exatamente são esses fundos e por que eles são uma estratégia para a sua carteira? Neste artigo, vamos explicar em mais detalhes. Acompanhe!
O que são fundos de ações?
Um fundo de investimento é uma modalidade de aplicação coletiva. Nele, o dinheiro de diversos cotistas é reunido para a aquisição de uma carteira diversificada de ativos, que é administrada por um gestor profissional.
Os fundos de ações são um tipo específico de fundo de investimento classificado como renda variável.
Por regra, um fundo de ações deve manter, no mínimo, 67% (dois terços) do seu patrimônio investido em ativos de renda variável.
Esses ativos incluem:
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Ações de companhias abertas negociadas em bolsa de valores;
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Recibos de ações (como os BDRs);
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ETFs (Exchange Traded Funds) que replicam índices;
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Outros títulos e valores mobiliários, como bônus de subscrição.
Os 33% restantes podem ser investidos em títulos de renda fixa, como Tesouro Direto, CDB, LCI ou LCA, o que ajuda a compor e a equilibrar a carteira do fundo.
Quais são as vantagens de investir em fundos de ações?
Os fundos de ações oferecem benefícios importantes, especialmente para quem busca eficiência e uma gestão especializada.
Gestão profissional
Este é um ponto de atenção importante. Um gestor qualificado e sua equipe são responsáveis por analisar o mercado, selecionar os ativos e tomar as decisões de compra e venda.
Essa expertise técnica e dedicação buscam retornos de acordo com a política do fundo e o gerenciamento dos riscos.
Diversificação acessível
Ao comprar uma única cota de um fundo, você está investindo em dezenas de ações e outros ativos.
Essa diversificação em diferentes empresas, setores e estratégias minimiza a exposição a eventos pontuais, o que é essencial para mitigar o risco.
Aporte inicial reduzido
Em muitos casos, é possível acessar uma carteira ampla e diversificada de ações com um valor de aplicação inicial menor do que seria necessário para comprar um lote diversificado de ativos individualmente.
Tributação simplificada
Diferentemente dos fundos de renda fixa e multimercados, os fundos de ações não estão sujeitos ao come-cotas (recolhimento antecipado de imposto de renda semestral).
O imposto de renda (alíquota única de 15%) é cobrado apenas no momento do resgate das cotas, sobre o rendimento bruto.
Além disso, há uma vantagem operacional importante: quando o investidor compra ações diretamente, é ele quem precisa calcular o imposto devido e emitir o DARF para pagamento do IR.
Nos fundos de ações, esse processo é automatizado, ou seja, o administrador do fundo realiza o recolhimento de forma centralizada, simplificando a vida do investidor e reduzindo a chance de erros ou atrasos.
Gestão ativa vs. gestão passiva: entenda as estratégias
A diferença entre os tipos de fundos de ações reside na forma como o gestor administra a carteira.
Existem dois modelos principais, como você pode perceber na tabela abaixo.
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Característica |
Gestão ativa |
Gestão passiva |
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Objetivo |
Superar o índice de referência (benchmark), como o Ibovespa. |
Apenas replicar o retorno de um índice de referência (ex: Ibovespa, IBRX 100). |
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Estratégia |
O gestor toma decisões ativas de compra e venda. A equipe de análise busca ativamente por ações que possam se valorizar. |
A carteira é montada para espelhar a composição do índice escolhido. |
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Potencial de retorno |
Maior, pois busca retornos acima do mercado, mas com maior risco de performance abaixo do benchmark se as decisões não forem bem-sucedidas. |
Menor volatilidade em relação ao benchmark, oferecendo o retorno médio do índice. |
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Custos (taxa de administração) |
Geralmente maior, devido ao esforço de análise e seleção. |
Geralmente menor, pois exige menos pesquisa e acompanhamento constante, como nos ETFs. |
Muitos fundos de ações no mercado brasileiro utilizam a gestão ativa, buscando alocar em empresas com potencial de valorização.
Quais são os principais tipos de fundos de ações?
Além da distinção entre gestão ativa e passiva, os fundos de ações são classificados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e pelas gestoras, como a Santander Asset Management, por exemplo, com base em suas estratégias de investimento, focando em diferentes perfis de empresas e objetivos.
Os principais tipos incluem:
Fundos de ações livres
Oferecem a maior flexibilidade para o gestor buscar as melhores oportunidades, podendo ter maior ou menor concentração em determinados ativos ou setores.
São ideais para quem confia plenamente na capacidade da equipe de gestão.
Fundos setoriais ou temáticos
Concentram o patrimônio em um segmento específico da economia, como tecnologia, imobiliário, energia, ou até mesmo grandes empresas estatais.
Permitem ao investidor focar no crescimento de um nicho específico, mas carregam um risco de concentração maior.
Fundos de dividendos
Priorizam a seleção de ações de empresas com histórico sólido de geração de caixa e que são boas pagadoras de proventos, focando na construção de uma renda passiva para o cotista.
Fundos de Small Caps
Voltados a empresas de menor capitalização, que geralmente possuem maior potencial de crescimento no longo prazo, mas também apresentam maior volatilidade e risco.
Fundos de Sustentabilidade (ASG/ESG)
Focam em empresas que adotam boas práticas de governança, sociais e ambientais (ASG - Ambiental, Social e Governança), alinhando o investimento a valores de responsabilidade corporativa.
Essa variedade permite ao investidor escolher a tese que melhor se alinha aos seus objetivos e tolerância ao risco.
Custos e a importância da taxa de administração
Ao investir em fundos de ações, é preciso entender os custos envolvidos, que impactam a rentabilidade final.
Taxa de administração
É a cobrança feita pelo gestor e pela administradora do fundo pelo serviço de gestão da carteira e pela manutenção do produto.
Essa taxa é um percentual anual sobre o patrimônio do fundo. Nos fundos de ações, a taxa costuma ir até 2% ao ano. Se o valor for superior, reavalie o investimento, comparando o custo com o histórico de performance.
Taxa de performance
Essa taxa é cobrada apenas se o gestor superar o índice de referência (benchmark) do fundo.
É um incentivo para que a equipe de gestão busque resultados acima da média do mercado.
IOF
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incide sobre o rendimento apenas se o resgate das cotas for feito em um prazo inferior a 30 dias após a aplicação.
Para investimentos com prazo superior a 30 dias, há isenção da cobrança de IOF.
Qual é o papel da diversificação na estratégia do fundo?
A diversificação é uma ferramenta para o gerenciamento de risco no investimento, embora não o elimine. Um fundo de ações usa a diversificação de várias maneiras:
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Por setor: investir em empresas de diferentes segmentos, como tecnologia, bancos, commodities, saúde e energia. Se um setor sofre, os outros podem compensar a perda.
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Por tipo de empresa: balancear a carteira com blue chips (empresas grandes e estáveis) e small caps (empresas menores com potencial de crescimento).
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Por classe de ativo: além das ações, o fundo pode incluir títulos de renda fixa, ajudando a equilibrar a volatilidade total da carteira.
Ao investir em fundos de ações, você delega ao gestor a responsabilidade de montar e rebalancear essa diversificação de forma técnica e contínua.
Mas os benefícios da diversificação vão além da estrutura do próprio fundo: eles também se refletem na carteira completa do investidor.
Incluir fundos de ações (renda variável) em um portfólio que já contém investimentos de renda fixa é uma forma inteligente de buscar equilíbrio entre risco e retorno.
Enquanto a renda fixa tende a oferecer maior previsibilidade e estabilidade, a renda variável proporciona maior potencial de valorização no longo prazo.
Esses dois tipos de investimento costumam reagir de forma diferente a movimentos econômicos e de mercado. Por exemplo, em períodos de juros em queda, as ações podem se valorizar, compensando possíveis rendimentos menores nos títulos de renda fixa.
Essa correlação mais baixa entre as classes de ativos ajuda a reduzir a volatilidade total da carteira e a melhorar a consistência dos resultados ao longo do tempo.
Ou seja, ao combinar renda fixa e variável, você pode aproveitar o melhor de cada uma das classes: proteção em momentos de instabilidade e crescimento quando o mercado está favorável.
Potencial de retorno e estratégia de longo prazo
Os fundos de ações são mais indicados para investidores com horizonte de longo prazo.
Embora possam apresentar oscilações no curto prazo devido aos movimentos do mercado e ao desempenho de empresas específicas, eles têm o potencial de superar indicadores como o CDI e o Ibovespa ao longo do tempo.
A gestão profissional busca esse crescimento contínuo por meio da seleção criteriosa de ativos, focando na identificação de empresas com sólido desempenho financeiro e potencial de valorização futura.
Para quem os fundos de ações são indicados?
Devido à sua característica de renda variável, os fundos de ações apresentam maior volatilidade e são mais adequados para objetivos de longo prazo.
Eles são indicados para:
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Perfil moderado e arrojado: pessoas com maior tolerância ao risco e que buscam potencializar os rendimentos.
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Iniciantes na bolsa: quem deseja se expor ao mercado de ações de forma prática, sem a necessidade de operar individualmente e contando com a gestão profissional.
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Pessoas com pouco tempo: investidores que não dispõem de tempo para fazer análises aprofundadas e acompanhar o mercado diariamente.
Se você busca renda variável com expertise e diversificação, os fundos de ações são uma alternativa a ser considerada em sua estratégia de investimentos.
Para saber mais sobre as opções disponíveis e planejar suas aplicações, entre em contato com seu gerente ou especialista em investimentos do Santander.
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Importante: os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Qualquer informação contemplada neste material deve ser confirmada quanto às suas condições, antes da conclusão de qualquer negócio. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. O Banco Santander (Brasil) S. A. (“Banco Santander”) não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo.