Os fundos de investimento em ouro têm se tornado cada vez mais populares entre os investidores que buscam proteção contra a volatilidade do mercado financeiro, especialmente em momentos de incerteza, fragilidade ou risco de recessão econômica.
Em 2025, após subir mais de 50% no ano, o ouro superou a marca de US$ 4 mil por onça-troy pela primeira vez na história, despertando grande interesse no mercado.
Porém, muitos ainda têm dúvidas sobre como funcionam os fundos de investimento com a estratégia de aplicação em ouro.
Neste artigo, iremos explicar tudo o que você precisa saber sobre o assunto, desde o que são até como funcionam, quais são os seus riscos e vantagens, e por que podem ser uma alternativa interessante para diversificar a sua carteira de investimentos.
É lucrativo investir em ouro?
O ouro é um ativo considerado de menor risco em tempos de incerteza e instabilidade econômica, pois é uma reserva de valor física e durável que tem sido valorizada ao longo da história.
Em períodos de crise econômica, geopolítica ou inflação, os investidores tendem a buscá-lo como forma de proteção contra a perda de poder de compra e a incerteza à frente.
Um exemplo recente foi a pandemia da Covid-19, que gerou incerteza e volatilidade nos mercados financeiros, levando muitos investidores a buscar refúgio em ativos considerados seguros, como o ouro e o dólar.
Para simplificar, as principais razões que levam os investidores a alocar parte do seu capital em ouro são:
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Reserva de valor durável: em períodos de crise financeira, o ouro pode preservar o valor do patrimônio, tornando-se uma alternativa interessante para proteção.
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Liquidez: produtos ligados ao ouro são geralmente fáceis de comprar e vender, pois possuem grande aceitação internacional, o que facilita a sua negociação.
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Diversificação e proteção: investir em ouro possibilita diversificar a carteira e incluir um elemento de proteção contra riscos e incertezas.
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Descorrelação: o ouro possui pouca correlação com outros ativos de Renda Variável, como ações e FIIs, o que pode contribuir para a redução da oscilação da carteira.
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Facilidade: atualmente, é possível investir em ouro sem a necessidade de possuir o metal fisicamente, o que traz comodidade e praticidade para o investidor.
Por essas razões, ele é considerado um ativo defensivo em momentos de turbulência econômica, e muitos investidores incluem o ouro em suas carteiras de investimentos para mitigar riscos.
Vale a pena comprar ouro físico?
Para investir em ouro físico (barras, jóias, etc), inicialmente, é importante considerar o custo de manutenção do metal.
No caso do ativo físico, é preciso incluir na conta os gastos de armazenamento em um local seguro, já que o roubo pode resultar em perdas consideráveis.
Além disso, a negociação (compra e venda) do ouro físico pode ser mais complexa, burocrática e demorada, o que pode afetar a liquidez do investimento.
No mais, reter quantidades de ouro pode atrair a atenção da Receita Federal e outras autoridades, quando não declarado corretamente no Imposto de Renda.
Então, vale a pena evitar o ouro físico como investimento e buscar outras alternativas, como os fundos de investimento.
Quais são os riscos do investimento atrelado ao ouro?
Investimentos atrelados ao ouro envolvem alguns riscos importantes. Primeiramente, o preço do ouro é influenciado por fatores que podem gerar alta volatilidade como:
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Taxas de juros (Selic, dos Estados Unidos e outras).
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Inflação.
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Mudanças cambiais (cotação do dólar).
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Incertezas econômicas globais.
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Conflitos internacionais.
Além disso, a falta de rendimentos regulares, como juros ou dividendos, pode torná-lo menos atraente em certos períodos.
Por fim, há também o risco de liquidez em mercados menos acessíveis e custos associados, como taxas de custódia e spread (diferença de preços na compra e venda).
O que são fundos de investimento em ouro?
Para usufruir dessas vantagens que citamos acima, muitos investidores optam pelos fundos de investimento em ouro ao invés de comprar e montar posições com o metal físico.
Os fundos de investimento em ouro são aqueles que aplicam em ativos atrelados ao metal precioso, como os contratos futuros, buscando rentabilidade com a variação dos seus preços.
Esses fundos, que geralmente são do tipo multimercados, podem usar o dinheiro dos investidores para comprar contratos futuros de ouro ou outros investimentos que seguem a cotação do ouro.
Isso pode ser feito protegendo ou não o investimento contra a variação do câmbio, dependendo das regras e objetivos definidos da política de investimento da administração.
Como funcionam os fundos de ouro?
Investir por meio de fundos, como dissemos, é uma alternativa para quem quer se expor ao metal de forma mais prática e acessível, já que é possível aplicar em pequenos valores e não há necessidade de armazenar o ouro fisicamente.
Como vimos, os fundos de investimento em ouro funcionam por meio da aplicação em ativos relacionados ao metal, como ouro físico, contratos futuros, cotas de outros fundos, cotas de ETFs (fundos negociados na bolsa de valores), etc.
O objetivo é obter rentabilidade com a valorização do preço do ouro, sendo gerenciado por profissionais que buscam maximizar a rentabilidade e controlar os riscos.
Como fazer o investimento?
Então, para participar de um fundo, o investidor compra uma cota e, com o trabalho da gestão, seu patrimônio vai acompanhar de perto a cotação do ouro, com ou sem a mudança do câmbio.
O desempenho pode mudar de fundo para fundo, a depender da estratégia que os gestores adotarem para aumentar a rentabilidade, o que pode ser maior ou menor que a commodity.
Quais são os tipos de fundos de Investimento em ouro?
Basicamente, existem 3 tipos que traçam estratégias para acompanhar o ouro no mercado. São eles:
1. Fundo de ouro em reais
No caso dos fundos de investimento em ouro em real, o investimento não fica exposto à volatilidade do dólar, o que torna a exposição do investidor limitada à variação do preço do ouro e do contrato futuro em reais, o que pode ser uma vantagem em tempos de incerteza no mercado cambial.
Além disso, essa modalidade de investimento pode ser interessante para aqueles que buscam diversificação e menor risco em suas carteiras, reduzindo a oscilação do preço da moeda americana.
2. Fundo de ouro em reais + CDI
Esse tipo almeja maximizar a rentabilidade do investimento por meio da valorização do ouro e da adição da rentabilidade do CDI.
Essa combinação pode ser interessante para investidores que buscam diversificação e potencialização dos ganhos em suas carteiras.
No mais, o CDI pode ajudar a minimizar possíveis perdas caso o preço do ouro apresente oscilações negativas.
3. Fundo de ouro + dólares
Por último, essa alternativa busca rentabilidade através da variação do preço do ouro e do dólar, investindo em ativos que acompanham a variação de ambos.
É importante destacar que a exposição ao dólar pode gerar volatilidade na rentabilidade do fundo, indicado para investidores que possuem uma estratégia mais arrojada e que buscam potencializar os ganhos em suas carteiras.
Quais são as vantagens e desvantagens dos fundos de investimento em ouro?
Antes de passar ao próximo tópico, vamos resumir algumas vantagens e desvantagens que você deve ter em mente ao alocar parte da sua carteira nessa estratégia:
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✅ Vantagens |
⛔ Desvantagens |
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Hedge e safe haven: usado como proteção contra a volatilidade e momentos de estresse no mercado. |
Volatilidade: o preço do ouro pode ser bastante volátil, o levando a mudanças bruscas no valor de curto prazo. |
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Reserva de valor: possui caráter resiliente e protetivo em cenários econômicos incertos e períodos de recessão. |
Não gera renda: o ouro em si não gera nenhum tipo de fluxo de caixa ou renda passiva, como juros ou dividendos. |
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Proteção contra a inflação: pode ajudar a preservar o valor do portfólio em tempos de alta inflação. |
Não há remuneração de juros: os ganhos ocorrem somente com a valorização do ouro e, portanto, não há pagamento de juros ao investidor. |
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Diversificação: tem baixa correlação com outros tipos de ativos. A cotação do ouro e o índice dólar costumam andar em direções opostas, por exemplo. |
Dificuldade em avaliar o preço justo: o valor do ouro é influenciado por uma série de fatores, dificultando a precificação “100% fiél à realidade”. |
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Liquidez: é fácil entrar e sair do investimento quando quiser. |
Taxas e custos: impostos e taxas de administração/performance podem diminuir o retorno da aplicação. |
Como investir em fundos de ouro?
Como dissemos anteriormente, se for do seu interesse fazer esse investimento, você vai precisar de uma conta aberta e ativa em uma corretora de valores.
Os passos para investir em fundos de investimento em ouro são:
1. Abra sua conta: escolha uma instituição financeira que ofereça a modalidade de investimento em fundos de ouro. Abra uma conta e faça a transferência de recursos para a sua conta de investimentos.
2. Escolha o fundo: analise os diferentes tipos de fundos disponíveis (observe qual é o valor mínimo, a taxa de administração, a governança, o desempenho histórico do gestor) e escolha aquele que mais se adequa ao seu perfil de investidor. Conte com um assessor ou analista de investimentos para isso.
3. Veja os documentos do fundo: leia a lâmina e o regulamento do Fundo escolhido e entenda sua política de investimento, riscos e taxas envolvidas. Você os encontra com facilidade na plataforma.
4. Faça a aplicação e acompanhe: configure o investimento pelo valor desejado, respeitando o mínimo. Confira as informações e confirme a aplicação. Acompanhe periodicamente a rentabilidade do seu investimento e faça ajustes na sua carteira de investimentos.
Quais são as outras formas de investir em ouro e prata?
Além dos fundos de ouro que conhecemos no conteúdo de hoje, outras alternativas podem ser usadas para a estratégia em ouro ou até mesmo na prata, tais como:
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ETF de ouro: fundo de índice que replica a performance do preço do ouro em dólar.
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BDR de ETF de ouro: BDR que, indiretamente, permite adquirir cotas de um ETF de ouro. A compra deste ativo internacionaliza o portfólio e está sujeito à oscilação do dólar.
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BDR de mineradoras de ouro: alternativa para investir indiretamente em empresas mineradoras de ouro e outros metais preciosos.
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Contratos futuros de ouro: estipula ganhos com a expectativa de queda ou subida no valor do ouro, ressaltando que trading não é investimento de longo prazo.
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BDR de ETF de prata: BDR que permite investir em um ETF que segue a cotação da prata.
Lembrando que os fundos e ativos apresentados nesse conteúdo não são recomendações de compra nem necessariamente expressam a opinião da nossa equipe.
Caso os investimentos apresentados não sejam compatíveis com o seu perfil, recomendamos que você consulte um Assessor de Investimentos para elaborar uma carteira alinhada às suas metas.
Para isso, deixe o seu Perfil de Investidor (API) sempre atualizado e leia todas as condições de cada produto antes de investir.
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Importante: os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Qualquer informação contemplada neste material deve ser confirmada quanto às suas condições, antes da conclusão de qualquer negócio. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. O Banco Santander (Brasil) S. A. (“Banco Santander”) não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo.