Assim que o ano inicia, chegam com ele as tradicionais despesas do período. Entre elas, os débitos de veículos obrigatórios: IPVA e Licenciamento. Esses são custos fixos para quem tem carro, moto, caminhão e demais veículos automotores e que precisam estar no radar de todo motorista para evitar problemas com a fiscalização.
Nessa hora, o melhor é se organizar e colocar esses valores no orçamento o quanto antes. O planejamento antecipado é a única forma de evitar imprevistos financeiros, o pagamento de multas desnecessárias por atraso ou até o bloqueio do documento do carro, que pode gerar a apreensão do veículo em uma blitz policial.
Se você ainda tem dúvidas sobre as regras para este ano e quer entender o que de fato aconteceu com a cobrança do novo SPVAT (antigo DPVAT), preparamos um guia completo. Aqui, você confere o calendário atualizado, aprende a calcular o imposto e vê como quitar seus débitos sem dor de cabeça. Acompanhe:
SPVAT (Antigo DPVAT): ele voltou em 2026?
A dúvida sobre a volta do seguro obrigatório tem movimentado as buscas e gerado confusão. O novo SPVAT (Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidentes de Trânsito) chegou a ser aprovado pelo Congresso Nacional para substituir o antigo DPVAT, mas houve uma reviravolta legislativa no final de 2024.
A Lei Complementar 211/24 revogou definitivamente a possibilidade de retomada dessa cobrança. Com isso, a resposta é positiva para o seu bolso: os proprietários de veículos não precisarão pagar o SPVAT em 2026. A medida isenta motoristas de todo o Brasil dessa taxa extra no momento do licenciamento anual.
Como ficam as vítimas de trânsito sem o SPVAT?
É importante entender o outro lado da moeda. Sem a cobrança do seguro obrigatório, a cobertura automática para indenizações (morte, invalidez e despesas médicas) deixa de existir nos moldes antigos, onde todos estavam protegidos independentemente de culpa.
Por isso, a recomendação é que os motoristas não contem com a sorte e busquem seguros privados (facultativos). Contratar uma apólice particular é a maneira mais segura de garantir proteção financeira contra danos pessoais e a terceiros em caso de acidentes nas estradas.
IPVA e Licenciamento é a mesma coisa?
Muitos motoristas confundem as taxas que chegam no início do ano, chegando a pensar que IPVA e Licenciamento é a mesma coisa, mas isso não é verdade. Embora ambos sejam obrigatórios e essenciais para regularizar o veículo, eles possuem finalidades, valores e destinos completamente diferentes:
IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores)
É um imposto estadual calculado sobre o valor de mercado do carro (Tabela Fipe). O dinheiro arrecadado não vai apenas para ruas; ele é dividido meio a meio entre o Estado e o Município onde o carro foi emplacado para custear despesas públicas gerais, como saúde, educação e segurança.
Licenciamento (CRLV)
É uma taxa administrativa de valor fixo cobrada pelo Detran de cada estado (por isso, seu valor pode variar). O pagamento dela serve para renovar o documento do carro, atestando que ele cumpriu todas as obrigações e tem condições de segurança para circular.
Importante: mesmo sabendo que IPVA e Licenciamento não são a mesma coisa, eles estão conectados. Isso porque você não consegue emitir o Licenciamento 2026 se tiver qualquer débito de IPVA ou multas de trânsito pendentes no sistema.
Como calcular o valor do IPVA 2026?
Diferente do Licenciamento, que tem valor fixo para todos, o IPVA varia conforme o modelo do seu carro. Para chegar ao valor final, o governo utiliza uma fórmula simples que cruza dois dados fundamentais: Valor Venal x Alíquota.
Para que você não tenha dúvidas na hora de fazer a conta, entenda o que significa cada um desses termos:
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Valor Venal: não é necessariamente o preço que você pagou no carro, mas sim o valor de mercado dele apurado pela Tabela Fipe (geralmente com referência nos meses de setembro ou outubro do ano anterior). É essa a base que a Secretaria da Fazenda usa;
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Alíquota: é a porcentagem do imposto definida por cada estado. Ela muda de acordo com o tipo de veículo (carro de passeio, caminhão, moto) e o combustível (flex, gasolina, elétrico).
Agora que você conhece os fatores, confira abaixo como aplicar isso na prática:
Exemplo prático de cálculo do IPVA
Para facilitar o entendimento, vamos utilizar como referência a alíquota cobrada em São Paulo, que é de cerca de 4% para a maioria dos carros de passeio movidos a gasolina ou flex. Imagine que o seu veículo foi avaliado em R$80 mil na Tabela Fipe utilizada pelo governo. A conta seria:
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R$80.000,00 (Valor do carro) x 4% (Alíquota) = R$3.200,00.
Este seria o valor total do imposto a pagar.
Vale lembrar que essa porcentagem pode variar: caminhonetes de cabine dupla também costumam pagar 4%, enquanto veículos utilitários, motos ou modelos movidos apenas a gás e eletricidade podem ter alíquotas reduzidas, dependendo da legislação vigente no seu estado.
Calendário IPVA 2026 SP: datas de vencimento
De forma geral, o ciclo de pagamento do IPVA em São Paulo começa rigorosamente em janeiro e segue até o final da placa do veículo. É fundamental respeitar essas datas para evitar multas diárias. Confira abaixo as tabelas detalhadas para se programar:
Automóveis, motos, caminhonetes e ônibus
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Final da Placa |
1ª Parcela ou Cota Única (com desconto) |
2ª Parcela ou Cota Única (sem desconto) |
3ª Parcela |
4ª Parcela |
5ª Parcela |
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1 |
13/01 |
13/02 |
13/03 |
13/04 |
13/05 |
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2 |
14/01 |
14/02 |
14/03 |
14/04 |
14/05 |
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3 |
15/01 |
15/02 |
15/03 |
15/04 |
15/05 |
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4 |
16/01 |
16/02 |
16/03 |
16/04 |
16/05 |
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5 |
17/01 |
17/02 |
17/03 |
17/04 |
17/05 |
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6 |
20/01 |
20/02 |
20/03 |
20/04 |
20/05 |
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7 |
21/01 |
21/02 |
21/03 |
21/04 |
21/05 |
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8 |
22/01 |
22/02 |
22/03 |
22/04 |
22/05 |
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9 |
23/01 |
23/02 |
23/03 |
23/04 |
23/05 |
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0 |
24/01 |
24/02 |
24/03 |
24/04 |
24/05 |
Para caminhões e caminhões-tratores
Para essa categoria, o calendário é diferenciado para não pesar no fluxo de caixa dos motoristas profissionais. O pagamento da cota única com desconto de 3% também ocorre em janeiro (nas mesmas datas da tabela acima). Porém, quem opta pelo parcelamento tem um prazo estendido:
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1ª Parcela: vencimento em Março (dia 20 para placas ímpares e pares conforme tabela específica);
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Parcelas seguintes: seguem até Setembro.
Se você é caminhoneiro, consulte o site da Secretaria da Fazenda para verificar o dia exato do vencimento da sua placa no parcelamento longo.
Leia também: Entenda a Tabela Fipe e como ela impacta seu imposto
Como parcelar o IPVA 2026 em SP?
Para 2026, o Estado de São Paulo mantém as opções flexíveis de pagamento para aliviar o bolso do motorista. Você pode escolher a estratégia que melhor se adapta à sua realidade:
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À vista em janeiro (Cota Única): ideal para quem se planejou e tem reserva. Garante um desconto de 3% no valor total. Pode parecer pouco, mas em um IPVA de R$4.000, são R$120 de economia;
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À vista em fevereiro: você paga o valor total sem desconto, mas ganha um fôlego no orçamento de janeiro, mês tipicamente pesado com matrículas e IPTU;
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Parcelamento: é possível dividir em até 5 vezes, sem juros (apenas correção monetária se houver virada de ano fiscal, mas geralmente é fixo).
Entenda a regra do parcelamento:
O sistema da Sefaz calcula automaticamente o número de parcelas (3, 4 ou 5) baseado no valor do imposto, respeitando um piso mínimo em UFESPs por parcela (aprox. R$70 a R$100). Na prática:
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Veículos com IPVA mais baixo parcelam em apenas 3 vezes (jan, fev, mar).
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Veículos com IPVA mediano parcelam em 4 vezes.
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Veículos com IPVA mais alto conseguem o prazo máximo de 5 meses (janeiro a maio).
O que acontece se eu atrasar o pagamento?
Atrasar o IPVA gera consequências imediatas tanto no seu bolso quanto na regularidade do veículo. Em resumo, a inadimplência faz a dívida crescer diariamente com juros compostos e impede a emissão do Licenciamento (CRLV), deixando o carro proibido de circular pelas ruas. Confira abaixo os principais riscos de não pagar em dia:
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Multa e Juros: em São Paulo, a penalidade é de 0,33% ao dia, chegando ao teto de 20% sobre o valor do imposto após 60 dias. Além disso, o valor sofre correção mensal pela taxa Selic.
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Apreensão do Veículo: como o débito bloqueia o Licenciamento, o carro fica irregular. Se for parado em uma blitz, ele será apreendido e guinchado para o pátio, gerando custos altíssimos de estadia, reboque e pontos na carteira.
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Dívida Ativa (Nome Sujo): se a dívida persistir, seu CPF é inscrito no Cadin Estadual. Isso bloqueia seu acesso a créditos públicos, impedindo, por exemplo, o resgate dos créditos da Nota Fiscal Paulista.
Leia também: Como parcelar IPVA atrasado?
Como pagar IPVA atrasado?
Para quitar o imposto vencido, você não pode utilizar os boletos antigos. É necessário emitir uma nova guia onde o sistema já calcula automaticamente os juros e multas atualizados até a data do pagamento. O caminho tradicional é acessar o site da Secretaria da Fazenda do seu estado, digitar o Renavam e gerar a GRD (Guia de Regularização de Débitos).
Leia também: Renavam: o que é, para que serve e como consultar
Mas, para quem busca praticidade, o App Santander simplifica esse processo para veículos de SP e MG:
Como pagar o IPVA pelo App Santander
A tecnologia pode ser sua maior aliada para não perder os prazos e evitar toda essa dor de cabeça. O Santander facilita o processo, permitindo que você resolva tudo pelo celular, seja para veículos de SP ou de outros estados:
Para veículos de São Paulo e Minas Gerais
Se o seu carro é emplacado em SP ou MG, o Santander possui integração direta com os sistemas do governo, dispensando a digitação de códigos de barras longos.
1. Acesse o App Santander e vá no menu "Pagar".
2. Clique na opção "Veículos" e depois em "IPVA, licenciamento e multas".
3. Cadastre o Renavam e a placa do veículo (se já tiver feito isso antes, o carro aparecerá na lista salva).
4. O App mostrará todos os débitos em aberto. Selecione o que deseja pagar (Cota única com desconto ou a parcela do mês) e confirme a transação.
Para demais estados
Nesse caso, você precisa emitir a guia de pagamento (GRD) no site do Detran ou da Secretaria da Fazenda do seu estado.
1. No site do governo, gere a guia e copie a numeração do código de barras.
2. No App Santander, vá em "Pagar" e escolha "Código de barras".
3. Cole a numeração, confira os dados do beneficiário (geralmente Sefaz ou Detran) e confirme a transação com sua senha.
Pagamento via Pix: ainda mais agilidade em SP
Uma facilidade que continua em alta para 2026 é o pagamento via Pix para veículos emplacados em São Paulo. Ao consultar o débito no portal da Secretaria da Fazenda, é possível gerar um QR Code instantâneo.
Depois, basta abrir o App Santander, acessar a área Pix, escolher a opção "Ler QR Code" e realizar o pagamento. A grande vantagem é a velocidade: a baixa no sistema costuma ocorrer em até 15 minutos, agilizando a regularização do documento – ideal para quem tem pressa para viajar ou precisa licenciar o veículo rapidamente.
Agora que você já sabe as datas, valores e as novas regras do SPVAT, não deixe para a última hora. Organize seu orçamento, baixe o App Santander e resolva as pendências do seu veículo com total segurança e praticidade.