Lidar com a perda de um ente querido é um momento delicado que traz uma série de responsabilidades burocráticas e financeiras. Ao se deparar com o termo “espólio” em documentos, é possível haver confusão. Afinal, o que é espólio?
Ele é a representação jurídica do patrimônio deixado pela pessoa que faleceu, englobando bens e também os direitos e as obrigações financeiras. Entender como ele funciona garante uma sucessão patrimonial organizada, justa e segura para todos os herdeiros.
Continue a leitura para entender como ele se comporta no processo de herança, o que significa espólio no IPTU e quais são as regras essenciais para o espólio no imposto de renda.
O que é espólio?
O espólio é o conjunto de bens, direitos e obrigações que pertenciam a uma pessoa falecida e que, a partir do óbito, é tratado como uma unidade jurídica até que a partilha seja concluída.
É importante compreender que o espólio é uma massa patrimonial que possui capacidade processual, ou seja, o espólio pode processar e ser processado, deve pagar impostos e quitar dívidas pendentes.
Quando falamos em patrimônio do espólio, incluímos:
1. Bens móveis e imóveis: casas, apartamentos, terrenos, veículos, joias e obras de arte;
2. Direitos: saldos em contas bancárias, investimentos, valores a receber de ações judiciais e FGTS;
3. Dívidas e obrigações: empréstimos, financiamentos, faturas de cartão de crédito e impostos atrasados.
Enquanto o inventário não é finalizado, o espólio é quem responde por tudo isso. Os herdeiros não possuem a posse definitiva dos itens individualmente, eles detêm uma "fatia" do todo, que será materializada apenas ao fim do processo.
Por que o espólio é fundamental no processo de herança?
A figura do espólio permite centralizar e proteger os direitos de todas as partes envolvidas: herdeiros, cônjuges e credores, possibilitando gerir os ativos e passivos justamente.
Ao contrário do que muitos acreditam, herdeiros não herdam dívidas: o espólio garante que as dívidas do falecido sejam pagas com o próprio patrimônio deixado. Se as dívidas forem maiores que os bens, os herdeiros não recebem nada, mas também não precisam pagar o excedente com o próprio bolso.
Além disso, o espólio permite a continuidade da administração de bens que não podem parar, como uma empresa, um imóvel alugado ou investimentos que rendem dividendos.
Toda essa gestão é personificada na figura do inventariante, sendo a pessoa nomeada para representar o espólio ativa e passivamente.
O processo de inventário: o caminho para a partilha do espólio
Para o espólio deixar de existir e os bens passarem formalmente para o nome dos herdeiros, é obrigatória a realização do inventário, o procedimento legal de levantamento de tudo o que compõe o patrimônio.
Inventário judicial vs. inventário extrajudicial
Existem dois caminhos principais para realizar essa transição, e a escolha depende do perfil da família e da concordância entre os herdeiros:
1. Inventário judicial: é obrigatório quando há herdeiros menores de idade ou incapazes, ou quando existe discordância entre os herdeiros sobre a divisão dos bens. Também ocorre se houver um testamento deixado pelo falecido. É um processo mais lento, por depender de prazos do Poder Judiciário;
2. Inventário extrajudicial: introduzido pela Lei n.º 11.441/07, pode ser feito diretamente em um Cartório de Notas, por meio de escritura pública. É mais ágil, mas exige que todos os herdeiros sejam maiores, capazes e que haja consenso sobre a partilha.
Segundo o g1, no Brasil, os testamentos ainda são pouco usados como prática de planejamento sucessório, mas devem aumentar nos próximos anos com proposta de novo Código Civil que prevê deixar cônjuges fora da herança, a menos que explicitado em testamento o direito de receber o patrimônio.
Etapas do processo de inventário
Independentemente da modalidade, o processo segue a ordem:
1. Abertura do inventário: deve ocorrer em até 60 dias após o falecimento para evitar multas sobre o imposto de transmissão (ITCMD);
2. Nomeação do inventariante: escolha da pessoa que administrará o espólio;
3. Levantamento de bens e dívidas: fase de pesquisa em bancos, cartórios e órgãos públicos;
4. Pagamento de impostos: recolhimento do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação);
5. Partilha: divisão final dos bens entre os herdeiros.
Saiba mais: Inventário: o que é, para que serve e quanto custa?
A importância do acompanhamento jurídico
Mesmo no inventário extrajudicial, a presença de um advogado é obrigatória por lei! O acompanhamento jurídico assegura que o espólio seja gerido corretamente, evitando que erros documentais causem o bloqueio de bens ou a incidência de multas desnecessárias.
O que significa espólio no IPTU e outras implicações
Os imóveis costumam ser a parte mais robusta de um espólio. Por serem bens de registro público, eles exigem cuidados específicos para não sofrerem depreciação ou problemas legais durante o inventário.
O imóvel no contexto do espólio
Enquanto o processo de inventário corre, o imóvel permanece em nome do falecido, mas com a observação de que pertence ao espólio.
Isso significa que qualquer decisão sobre o bem, como pintura, reforma ou manutenção, deve ser tomada pelo inventariante ou em comum acordo entre os herdeiros.
O que significa espólio no IPTU?
Ao receber o carnê do imposto municipal, você poderá notar que o nome do proprietário foi alterado para algo como "Espólio de [Nome do Falecido]". Isso indica que a prefeitura já foi notificada do óbito e que a responsabilidade pelo pagamento do imposto agora recai sobre a massa patrimonial do falecido.
É fundamental manter o IPTU em dia, pois dívidas tributárias podem levar à penhora do próprio imóvel e impedir a finalização do inventário, já que o cartório exige a Certidão Negativa de Débitos para concluir a partilha.
Como funciona venda ou aluguel de imóvel do espólio?
Vender um imóvel antes do fim do inventário é possível, mas exige uma autorização judicial (alvará).
Já o aluguel pode ser feito, e os valores recebidos devem ser depositados em uma conta específica do espólio para futura partilha, devendo ser informados na declaração de imposto de renda.
Registro de imóveis e a partilha
Ao final do inventário, o Formal de Partilha (judicial) ou a Escritura Pública (extrajudicial) deve ser levado ao Cartório de Registro de Imóveis.
Somente após esse registro é que o imóvel deixará de constar como espólio e terá o nome dos novos proprietários na matrícula.
O que é espólio no imposto de renda? Declarações e obrigações fiscais
A Receita Federal considera que o falecido continua "existindo" fiscalmente até que a partilha seja homologada.
A declaração de imposto de renda do espólio
Existem três tipos de declarações que devem ser feitas ao longo do processo:
1. Declaração inicial: referente ao ano do falecimento;
2. Declarações intermediárias: feitas anualmente enquanto o inventário estiver em curso;
3. Declaração final de espólio: feita quando o processo de partilha termina. É nesta declaração que se informa a transferência definitiva dos bens para os herdeiros.
Quem é responsável pela declaração?
O responsável por preencher e enviar as declarações é o inventariante. Ele deve utilizar os mesmos dados de acesso e o CPF do falecido, utilizando o programa específico da Receita Federal para espólio.
Como declarar bens e rendimentos do espólio?
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Tipo de Rendimento |
Como declarar no Espólio |
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Bens imóveis |
Devem ser listados na ficha de Bens e Direitos pelo valor histórico. |
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Aluguéis recebidos |
Tributados no CPF do espólio enquanto não houver partilha. |
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Aplicações financeiras |
O inventariante deve solicitar o informe de rendimentos ao banco. |
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Dívidas |
Devem ser informadas na ficha de Dívidas e Ônus Reais para reduzir o patrimônio líquido. |
Leia mais em: Dinheiro de doação ou de herança: precisa ser declarado no Imposto de Renda?
Gestão financeira do espólio
Administrar o dinheiro de alguém que partiu exige transparência e organização extrema e, por isso, o Santander entende que este é um momento de transição.
A administração financeira durante o espólio
O inventariante tem o dever de prestar contas aos demais herdeiros. Recomenda-se a abertura de uma conta específica ou a manutenção organizada da conta atual para o pagamento de despesas recorrentes, como:
1. Condomínio e IPTU de imóveis;
2. Honorários advocatícios e custas processuais;
3. Manutenção de veículos e taxas de licenciamento.
Desafios financeiros comuns
O maior desafio é a liquidez. Muitas vezes o espólio tem muitos bens (imóveis, terras), mas pouco dinheiro em caixa para pagar os impostos (ITCMD) e os custos do inventário.
Nesses casos, o Santander pode auxiliar com orientações sobre a gestão de ativos.
Leia mais: Planejamento sucessório: como proteger o patrimônio familiar?
Perguntas Frequentes (FAQ)
Saiba as perguntas mais frequentes sobre espólio e tire suas dúvidas:
O espólio pode ter dívidas maiores que os bens?
Sim. Se isso ocorrer, o espólio é considerado insolvente. Os herdeiros não recebem herança, mas as dívidas que sobrarem não podem ser cobradas do patrimônio pessoal dos filhos ou cônjuge.
O que acontece se eu não abrir o inventário?
Os bens ficam bloqueados e você não conseguirá vender imóveis, sacar valores em contas bancárias ou transferir veículos. Além disso, os estados aplicam multas pesadas sobre o ITCMD se o processo não começar em 60 dias.
O inventariante pode usar o dinheiro do espólio para gastos pessoais?
Não, o uso do dinheiro deve ser exclusivamente para a manutenção do patrimônio e pagamento de obrigações do espólio. Qualquer uso indevido pode gerar a remoção do inventariante e processos judiciais por apropriação indébita.
O CPF do falecido é cancelado imediatamente?
Não, o CPF permanece em situação "pendente de regularização" ou "titular falecido" e só é efetivamente cancelado após a entrega da Declaração Final de Espólio.
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