Costumo avaliar que toda hora pode ser um momento oportuno para iniciar ou revisar o planejamento financeiro da sua vida. Ao alcançar o patamar de R$100 mil, percebo que o investidor se depara com uma nova e importante decisão: entender como fazer esse dinheiro trabalhar da forma mais inteligente e eficiente possível.
Analisando o mercado atual, vejo que não existe uma única resposta sobre como investir esses R$100 mil, mas costuma fazer sentido buscar uma alocação que respeite o seu perfil e, principalmente, os seus objetivos pessoais.
Neste artigo, quero compartilhar com você algumas possibilidades interessantes para investir esse capital. Também veremos os pilares do planejamento financeiro e as principais alternativas de ativos, passando pela renda fixa, geralmente voltada à preservação de capital, até o potencial de crescimento que a bolsa de valores pode oferecer. Vamos lá.
O que fazer antes de investir R$100 mil?
Na minha visão, antes de aplicarmos os R$100 mil, é muito importante que três pilares estejam bem definidos, pois eles formam a base de bons investimentos: o perfil, os objetivos e a reserva de emergência.
1. Perfil de investidor
O seu perfil de investidor costuma determinar o quanto de risco você estaria disposto a correr para buscar determinadas rentabilidades. No mercado financeiro, as instituições costumam seguir algumas variações dos perfis definidos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Entre eles, posso citar os tradicionais conservador, moderado ou arrojado. Além disso, existem nuances nessas classificações, como o perfil balanceado e o agressivo.
Veja, a seguir, as características de cada um para que você possa avaliar onde se encaixa melhor:
• Conservador: considera fundamental a preservação do capital e não possui tolerância e/ou condição para eventuais volatilidades nos investimentos;
• Moderado: prioriza um menor risco sobre o capital, mas aceita aplicar uma pequena parcela em investimentos que podem ter oscilações maiores, visando uma rentabilidade superior;
• Balanceado: aceita investir parte do dinheiro em ativos de maior risco, compreendendo eventuais perdas na busca de retornos mais atrativos;
• Arrojado: costuma estar disposto a correr maiores riscos, aceitando eventuais variações negativas na carteira em prol da busca por maiores retornos no longo prazo;
• Agressivo: compreende bem as oscilações do mercado, tolera variações negativas e aceita uma alta exposição a investimentos de maior risco, buscando rentabilidades mais elevadas em horizontes longos.
2. Objetivos financeiros
Em minhas análises, sempre pergunto: onde você quer chegar com esses 100 mil reais? Pois o prazo costuma ser o fator decisivo para a escolha dos ativos. Veja a seguir:
• Curto prazo (até 2 anos): ideal para metas como comprar um carro ou fazer uma viagem, por exemplo. Esse cenário tende a exigir alta liquidez e preservação do capital;
• Médio prazo (2 a 5 anos): costuma abrigar planos como dar entrada em um imóvel ou fazer um intercâmbio. Esse horizonte de tempo permite assumir um pouco mais de risco, mas o foco na estabilidade ainda se mantém;
• Longo prazo (acima de 5 anos): reflete objetivos como a aposentadoria e a independência financeira. Neste cenário, o investidor geralmente pode assumir mais riscos em busca de um maior crescimento do patrimônio.
3. Reserva de emergência
Este é um ponto que considero fundamental ao organizar as finanças. Os R$100 mil são o seu único recurso guardado no momento, ou você já possui uma reserva de emergência montada?
Costuma ser prudente que uma reserva, suficiente para cobrir de 3 a 6 meses (ou o período que lhe trouxer mais tranquilidade) do seu custo fixo mensal, seja aplicada em investimentos de baixo risco e com alta liquidez.
Algumas alternativas interessantes para esse fim incluem o Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária emitidos por instituições com alta qualidade de crédito ou os Fundos DI. Sendo assim, sugiro avaliar a construção dessa reserva antes de expor seu capital à renda variável.
Onde investir R$100 mil na renda fixa?
Observando a dinâmica do mercado, a renda fixa é normalmente utilizada para investimentos com objetivos de curto e médio prazo, servindo também para compor a parcela de menor risco da carteira. No entanto, também vejo boas oportunidades para o longo prazo dentro dessa classe.
Acompanhe as principais alternativas em renda fixa que podem ajudar você a diversificar seu portfólio:
Tesouro Direto
É o programa do governo federal voltado para o investimento em títulos públicos, considerado no mercado como o emissor de menor risco de crédito no país.
• Tesouro Selic: título com rentabilidade pós-fixada, que costuma ser ideal para abrigar a reserva de emergência;
• Tesouro Prefixado: uma opção que permite saber exatamente quanto você irá receber no vencimento do título;
• Tesouro IPCA+: costuma ser uma boa alternativa para buscar proteger seu dinheiro da inflação, pois paga juros reais acrescidos da variação do IPCA.
CDBs (Certificados de Depósito Bancário)
São títulos emitidos por bancos e contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa proteção abrange valores de até R$250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira ou conglomerado, existindo um limite global estipulado de R$1 milhão dentro de um período de 4 anos.
Antes de realizar o aporte, costumo lembrar que é importante avaliar bem as características da aplicação e a qualidade de crédito do emissor. Em geral, os investimentos que oferecem taxas mais elevadas tendem a estar associados a condições diferentes das aplicações mais tradicionais, o que pode incluir menor liquidez, prazos mais longos ou mesmo um maior risco de crédito.
LCI e LCA (Letras de Crédito)
Vejo esses instrumentos como opções bem similares aos CDBs, porém lastreados em operações de crédito específicas dos setores imobiliário e do agronegócio. Uma grande vantagem é que esses ativos possuem isenção de Imposto de Renda para pessoa física, além de também contarem com a garantia do FGC.
Crédito Privado
As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. É interessante notar que as debêntures conhecidas como incentivadas podem oferecer isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, em conformidade com a legislação vigente.
Os CRIs e CRAs referem-se a títulos lastreados em créditos oriundos do setor imobiliário e do agronegócio, respectivamente. Ambos também desfrutam da isenção de IR para investidores pessoas físicas.
Sobre o crédito privado, ressalto que esses títulos tendem a oferecer rentabilidades mais elevadas do que os investimentos tradicionais. Por outro lado, eles não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por isso, uma alternativa a se considerar é analisar cuidadosamente o risco de crédito do emissor e os detalhes operacionais antes de investir.
Onde investir R$100 mil na renda variável?
Na minha experiência, a renda variável é o ambiente onde o investidor geralmente busca a multiplicação do patrimônio mirando o longo prazo, ainda que envolva maiores riscos e oscilações do mercado. Com R$100 mil em mãos, considero perfeitamente possível montar uma diversificação inteligente nesta classe.
Veja algumas opções:
Ações
Investir em ações significa que você adquire partes e se torna sócio de grandes empresas. Ao estruturar sua carteira, você pode focar em companhias conhecidas por pagar bons dividendos (distribuindo lucros aos acionistas) ou naquelas que apresentam um alto potencial de crescimento, frequentemente chamadas de Small Caps. As corporações já mais maduras e consolidadas no mercado costumam ser apelidadas de Blue Chips.
Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs)
Considero os FIIs uma forma bastante acessível de investir no mercado imobiliário, como em shoppings, lajes corporativas e galpões logísticos, sem a necessidade de comprar um imóvel físico inteiro sozinho. Esses fundos costumam distribuir rendimentos com frequência, geralmente de forma mensal, os quais são isentos de imposto de renda para a pessoa física.
ETFs (Exchange Traded Funds)
São fundos de investimento desenhados para replicar a performance de um índice da Bolsa, a exemplo do Ibovespa. Costumo ver os ETFs como uma forma mais simples e de baixo custo para promover a diversificação, já que ao adquirir uma única cota você passa a investir indiretamente em dezenas de ações. Contudo, é válido lembrar que, tradicionalmente no Brasil, eles não distribuem dividendos diretos; esses proventos acabam sendo reinvestidos no próprio fundo.
BDRs (Brazilian Depositary Receipts)
Os BDRs são ativos que permitem ao investidor brasileiro ter exposição a grandes empresas estrangeiras (como Apple, Google e Amazon) de maneira muito prática. Você faz tudo isso diretamente pela nossa bolsa de valores e investindo em reais, o que tira a necessidade de enviar dinheiro para contas fora do Brasil.
Fundos de Investimento
Esta é uma opção interessante caso prefira delegar a gestão: nela, um profissional qualificado toma as decisões de alocação por você. O mercado oferece uma vasta gama, com opções como fundos de ações, de renda fixa, os multimercados (que mesclam estrategicamente diferentes ativos), entre diversos outros estilos.
Exemplos de alocação com R$ 100 mil
Com 100 mil reais disponíveis, minha principal recomendação costuma ser evitar alocar o montante total em um único ativo. A meu ver, o caminho mais estratégico envolve planejar uma boa diversificação.
Diversificar significa distribuir o valor entre diferentes tipos de investimentos, mesclando renda fixa e renda variável, além de transitar por setores econômicos e níveis de risco distintos.
Dessa forma, caso algum investimento apresente um desempenho abaixo do esperado em um determinado momento, os outros ativos da carteira podem ajudar a equilibrar o resultado geral. Isso dilui o risco total e auxilia na estabilização do seu patrimônio.
Abaixo, trago alguns exemplos didáticos de como esses R$100.000 poderiam ser divididos, levando em conta os perfis de investidor mais tradicionais do mercado. Lembro apenas que o quadro a seguir não se trata de uma recomendação de compra, mas sim de uma ilustração de conceitos.
|
Perfil de Investidor |
% em renda fixa |
% em renda variável |
Foco principal |
|
Conservador |
80% (R$ 80.000) |
20% (R$ 20.000) |
Preservação de capital e rentabilidade. |
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Moderado |
50% (R$ 50.000) |
50% (R$ 50.000) |
Equilíbrio entre estabilidade e busca por maior rentabilidade. |
|
Arrojado |
20% (R$ 20.000) |
80% (R$ 80.000) |
Crescimento do patrimônio no longo prazo. |
Até aqui, repassamos juntos diversas alternativas sobre como estruturar os investimentos dos seus 100 mil reais. Como forma de organizar os próximos passos, considero válido que você reflita e responda para si mesmo algumas perguntas fundamentais:
• Defina seu perfil: após a leitura, você se considera conservador, moderado, balanceado, arrojado ou agressivo?
• Liste seus objetivos: o capital que você deseja investir tem foco no curto, médio ou longo prazo?
• Verifique sua reserva: a sua reserva de emergência está bem montada e já alocada em ativos de liquidez diária?
• Estude os ativos: você se sente familiarizado com o funcionamento básico do Tesouro Direto, dos CDBs, das Ações e dos FIIs?
• Planeje a diversificação: já sabe qual percentual faria sentido direcionar para preservação (renda fixa) e qual parcela para buscar crescimento (renda variável)?
Investir uma quantia expressiva como essa representa um avanço importante na sua jornada financeira. Gosto de lembrar que o planejamento é um exercício contínuo e que a diversificação pode atuar como sua principal ferramenta para manejar os riscos e buscar o aumento sólido do seu patrimônio.
Por isso, a chave para o sucesso é alinhar os investimentos ao seu horizonte de tempo e ao seu perfil de investidor.
Por fim, aproveite para abrir sua conta no Santander e começar a investir 100 mil reais hoje mesmo.
Importante: os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Qualquer informação contemplada neste material deve ser confirmada quanto às suas condições, antes da conclusão de qualquer negócio. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. O Banco Santander (Brasil) S. A. (“Banco Santander”) não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo.