Abrir uma empresa exige planejamento, e uma das primeiras dúvidas de quem começa é saber quando o dinheiro investido vai voltar para o bolso. Essa resposta é dada pelo payback, um indicador que mede o tempo necessário para recuperar o valor que você colocou no negócio.
Muitos empreendedores focam apenas no quanto esperam vender por mês, mas esquecem de calcular o tempo que levarão para sair do prejuízo inicial. Entender esse prazo ajuda a decidir se uma ideia é viável e qual o tamanho do risco que você está correndo.
Neste artigo, explicamos o que é esse conceito de forma simples, mostramos as fórmulas de cálculo e ajudamos você a entender como usar essa informação para organizar a saúde financeira da sua nova empresa.
O que é payback?
O termo payback significa, em tradução direta, "retorno". Na prática, ele indica o tempo que um investimento leva para se pagar. Por exemplo, se você gastou R$50 mil para montar uma loja, o payback é o período necessário para que o lucro acumulado dessa loja chegue aos mesmos R$50 mil.
Esse indicador é fundamental para avaliar a liquidez, ou seja, a velocidade com que o dinheiro volta para o seu caixa. Quanto mais rápido for esse retorno, menor é o risco de você ficar sem recursos para manter a operação no dia a dia.
Como calcular o payback?
Existem duas formas principais de calcular o payback. A escolha entre elas depende do nível de detalhamento que você precisa e do tempo previsto para o projeto. Enquanto uma oferece uma visão rápida, a outra considera as variações da economia ao longo dos anos.
Payback simples
O payback simples é a forma mais direta de fazer a conta. Para calcular, você divide o valor investido pelo ganho médio que espera ter em cada período (mês ou ano).
A fórmula é: Investimento inicial / Saldo médio do fluxo de caixa.
Por exemplo, se você gastou R$20.000 em uma reforma e ela gera um ganho extra de R$5.000 mensais, o seu payback será de 4 meses.
Leia também: aprenda como calcular o faturamento e o lucro da sua empresa
Payback descontado
O payback descontado leva em conta que o valor do dinheiro muda com o passar do tempo. R$1.000 hoje não compram as mesmas coisas que daqui a dois anos devido à inflação e aos juros.
Nesse cálculo, aplicamos uma Taxa Mínima de Atratividade (TMA), que geralmente se baseia na taxa Selic, para ajustar os valores que você receberá no futuro para o valor de hoje. É o modelo mais indicado para investimentos de médio e longo prazo. Confira a seguir:
Em que:
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FV = valor futuro
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i = taxa de juros
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n = número de períodos
Vamos para um exemplo? Imagine que uma empresa fez um investimento de R$20 mil em um novo equipamento e espera receber R$6 mil por ano durante os próximos 4 anos. Considerando uma TMA de 10% ao ano, é preciso trazer esses valores futuros para o valor presente.
Aplicando a fórmula:
Os valores ficam aproximadamente assim:
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Ano 1: R$6.000 ÷ (1 + 0,10)¹ = R$5.455
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Ano 2: R$6.000 ÷ (1 + 0,10)² = R$4.959
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Ano 3: R$6.000 ÷ (1 + 0,10)³ = R$4.508
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Ano 4: R$6.000 ÷ (1 + 0,10)⁴ = R$4.098
Somando os valores descontados:
R$5.455 + R$4.959 + R$4.508 + R$4.098 = R$19.020
Nesse caso, o investimento ainda não teria sido totalmente recuperado ao final do quarto ano, já que o valor presente dos retornos é menor que os R$20 mil investidos inicialmente.
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Diferenças entre os modelos
A diferença principal é a precisão. O payback simples trata o dinheiro do futuro como se tivesse o mesmo valor do presente, o que pode dar uma falsa sensação de segurança em projetos longos. Já o descontado atualiza esses valores usando o Valor Presente Líquido (VPL), o que faz com que o tempo de retorno calculado seja sempre um pouco maior, porém muito mais próximo da realidade.
Quando usar cada tipo de cálculo?
Se você está começando agora e precisa de uma noção rápida sobre um gasto pequeno, o payback simples resolve. Ele é ótimo para decisões do dia a dia, como comprar um computador novo ou trocar um balcão de atendimento.
Já se o seu plano envolve financiamentos ou um retorno que vai levar anos, o payback descontado é obrigatório para entender o risco real, evitando que você perca dinheiro para a inflação sem perceber.
Vantagens e limitações do método
Como qualquer métrica de risco e retorno, o payback possui pontos positivos e negativos que o empreendedor deve ponderar antes de bater o martelo. Confira a seguir.
Benefícios para quem está começando
A maior vantagem é a clareza sobre o fluxo de caixa. Para quem está abrindo um negócio e não tem muito capital reserva, saber quando o dinheiro volta ajuda a planejar melhor as próximas compras ou contratações. Além disso, é um cálculo fácil de entender e de explicar para sócios ou investidores.
O que o payback não mostra
A principal limitação é que ele não mede o lucro total. O payback diz apenas quando você empata o investimento, mas ignora quanto dinheiro o negócio vai continuar dando depois que esse prazo acabar. Por isso, você deve usá-lo junto com outras métricas de rentabilidade.
Como aplicar o payback na tomada de decisão?
O payback serve para ajudar você a escolher onde colocar seu dinheiro primeiro. Se você tem verba para apenas um projeto e está em dúvida entre dois equipamentos, o cálculo mostra qual deles vai devolver o investimento mais rápido para o seu caixa.
Manter esses cálculos atualizados é essencial. Se os custos aumentarem ou as vendas caírem, o tempo de retorno vai mudar. Usar planilhas ou sistemas de gestão ajuda a acompanhar esses números de perto, evitando que você baseie suas decisões apenas na intuição.
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