Atualizado em 08-07-2026

por Equipe Santander

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Do lado esquerdo, a frase ‘fim do dinheiro em espécie? Entenda’. Do lado direito, ilustração de uma mão segurando nota de dinheiro.

O Drex, antes conhecido como Real Digital, passou por uma mudança importante de direção. Inicialmente, a iniciativa do Banco Central era apresentada como uma moeda digital oficial brasileira, mas de acordo com informações recentes, o projeto tem priorizado frentes ligadas à infraestrutura financeira, e não ao uso direto no varejo.

Agora, a proposta está mais concentrada em uma infraestrutura tecnológica capaz de viabilizar contratos inteligentes, tokenização de ativos e operações mais seguras no ambiente digital. Isso não significa que o projeto acabou: o Banco Central deu um passo atrás em algumas escolhas tecnológicas para repensar o caminho, principalmente pelos desafios de privacidade, sigilo bancário e segurança.

Neste artigo, você vai entender o que é o Drex, como foi cada fase do projeto, os principais desafios e como o Open Finance Santander já pode ajudar a modernizar sua vida financeira.

O que é Drex e como funciona?

O Drex, concebido originalmente como o Real Digital, nasceu como a proposta de moeda digital oficial do Brasil, também chamada de CBDC, sigla em inglês para moeda digital do Banco Central. A ideia era criar uma versão digital do real, com paridade de valor.

No entanto, o Banco Central reposicionou o projeto: em vez de lançar uma moeda digital de varejo para a população, o foco passou a ser a construção de uma infraestrutura para contratos inteligentes.

Os contratos inteligentes são regras programadas executadas automaticamente quando determinadas condições são cumpridas. Por exemplo: em uma compra de carro, o dinheiro só seria transferido quando a propriedade do veículo fosse registrada no nome do comprador.

Essa lógica é conhecida como "entrega contra pagamento": a tecnologia busca sincronizar o cumprimento das etapas da transação, com potencial de reduzir determinados riscos operacionais, atrasos e descumprimentos, sem dispensar controles e validações aplicáveis.

A inspiração técnica vem de tecnologias como blockchain, definida pelo Governo Digital como um livro-razão distribuído, resistente a alterações e organizado em blocos conectados por registros criptográficos. Ainda assim, como mostramos a seguir, o Banco Central precisou rever o uso dessa tecnologia.

Linha do tempo do Drex: o que foi cada fase do projeto

Antes de chegar ao desenho atual, o projeto percorreu etapas bem definidas:

•       2020 a 2022 são feitos os estudos do Real Digital: o Banco Central criou um grupo de trabalho e divulgou as primeiras diretrizes do projeto, ainda sob o nome de Real Digital;

•       2023, nasce o Drex e começa o piloto: o projeto ganhou o nome atual e passou a ser testado em uma plataforma de registro distribuído (DLT), com consórcios formados por bancos e outras instituições;

•       Fase 1 do piloto (2023 a 2025): focou em privacidade, proteção de dados e segurança, testando a emissão, a transferência e a baixa do Drex de atacado (restrito às instituições) e do Drex de varejo, além de operações com Títulos Públicos Federais. O relatório final apontou viabilidade, mas limitações nas soluções de privacidade;

•       Fase 2 (2024 a 2025): avaliou casos de uso propostos pelo mercado, como crédito com garantias, operações com veículos e imóveis e transações internacionais, executados por contratos inteligentes;

•       Em 2025 tivemos mudança de rota: diante dos desafios técnicos, o Banco Central encerrou a plataforma de testes baseada em blockchain;

•       2026 em diante, nova fase: tende a priorizar a conciliação de gravames em uma infraestrutura mais simples, mantendo a tokenização como objetivo de longo prazo, conforme evolução regulatória e tecnológica.

O momento atual: a mudança de rota e a Fase 3

Como a linha do tempo mostra, o Banco Central interrompeu as duas primeiras fases de testes e deixou de lado, por ora, o modelo tecnológico baseado em DLT.

O motivo foi a dificuldade de conciliar dois pontos essenciais:

•       Preservar o sigilo bancário e a privacidade das pessoas;

•       Permitir que o Banco Central tenha visibilidade adequada das transações para fins regulatórios.

Esse equilíbrio é complexo: uma infraestrutura financeira dessa natureza deve buscar auditabilidade, eficiência e proteção de informações sensíveis, em linha com requisitos regulatórios e de governança.

Por isso, a próxima etapa deve ter outro foco: a conciliação de gravames. Na prática, isso pode permitir que ativos registrados em uma corretora sejam usados como garantia em operações de crédito, reduzindo custos e ampliando possibilidades de negociação.

Ainda assim, o objetivo final segue ligado à tokenização de ativos financeiros: transformar ativos (como títulos e recebíveis) em representações digitais que possam ser negociadas em ambientes tecnológicos regulados.

Quais são as desvantagens do Drex?

O Drex (antigo Real Digital) tem potencial para transformar operações financeiras, mas enfrenta desafios importantes. Um dos pontos levantados pelo mercado é que o projeto pode ter sido ambicioso demais ao tentar criar uma solução única para diferentes problemas ao mesmo tempo.

Além disso, a privacidade é um dos maiores obstáculos. Em redes públicas baseadas em blockchain, informações sobre saldos, posições e movimentações podem ficar mais expostas do que o desejado, algo especialmente sensível para grandes investidores, empresas e instituições, já que a exposição de posições relevantes poderia influenciar preços, estratégias e decisões de mercado.

Entre os principais desafios do Drex, estão:

•       Garantir privacidade dos usuários;

•       Preservar o sigilo bancário;

•       Permitir supervisão regulatória adequada;

•       Evitar exposição de posições financeiras sensíveis;

•       Criar uma infraestrutura segura para diferentes tipos de ativos;

•       Definir limites claros para o uso de contratos inteligentes.

Portanto, a discussão não é apenas tecnológica: envolve regulação, segurança, governança, privacidade e confiança no sistema financeiro.

Quanto vai valer 1 Drex?

A resposta segue o princípio que acompanha o projeto desde a época do Real Digital: a paridade de um para um. Ou seja, a ideia é de que 1 Drex equivalerá a R$ 1, sem cotação própria e sem variação de preço, já que se trata de uma representação digital do real, e não de um ativo de investimento.

O que mudou com o novo foco foi a função. O Drex deixa de ser pensado como moeda digital para compras do dia a dia e passa a ser tratado como moeda de liquidação dentro de uma infraestrutura financeira digital.

Na prática, isso significa que ele poderá ser usado para liquidar operações envolvendo ativos tokenizados, garantias, contratos inteligentes e transações condicionadas. Portanto, o valor acompanha o real, mas a função do Drex é mais específica, ou seja, seguindo essa lógica, não fará sentido falar em "comprar Drex" esperando valorização.

Leia também: O que é o Pix no cartão de crédito?

Qual a diferença do Pix para o Drex?

A principal diferença está na finalidade. O Pix foi criado para pagamentos e transferências instantâneas do dia a dia. Já o Drex foca em operações condicionadas, em que o pagamento depende do cumprimento de uma regra ou da transferência de um ativo.

Confira a comparação:

Pix

Drex

Usado para pagamentos e transferências instantâneas.

Focado em contratos inteligentes e liquidação de operações.

Funciona bem no dia a dia, como pagar uma conta ou transferir dinheiro.

Pode ser usado em operações mais complexas, como compra de imóvel ou veículo.

Transfere dinheiro de uma conta para outra rapidamente.

Pode condicionar a transferência ao cumprimento de uma regra.

Já está disponível para a população.

Ainda está em fase de desenvolvimento e testes.

Como no exemplo do carro citado no início: o dinheiro só seria transferido com o registro do veículo no nome do comprador, tornando a operação mais segura para todos.

Outro exemplo envolve automação: no futuro, dispositivos conectados poderiam, em determinados contextos e a depender de evolução regulatória, operacional e tecnológica, executar pagamentos automaticamente, seguindo regras pré-definidas em contratos inteligentes, sem depender necessariamente de cartões.

Ainda assim, o Pix continua sendo a solução para pagamentos instantâneos cotidianos: Drex e Pix não são a mesma coisa e não têm a mesma função.

Confira também: Segurança Santander: guia de boas-vindas para te ajudar a proteger sua conta e seus dados

O Drex vai acabar com o dinheiro físico?

Não. A mudança no projeto do Drex não significa o fim do dinheiro em espécie. O objetivo da iniciativa é modernizar a infraestrutura financeira e ampliar possibilidades no ambiente digital, e não eliminar cédulas e moedas.

Além disso, como o foco atual deixou de ser um real digital, a proposta está menos ligada ao uso cotidiano pela população e mais relacionada a operações estruturadas, tokenização e liquidação de contratos. O dinheiro físico continua existindo, enquanto novas tecnologias seguem sendo estudadas para tornar determinadas transações mais seguras, eficientes e integradas.

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