O Drex, antes conhecido como Real Digital, passou por uma mudança importante de direção. Inicialmente, a iniciativa do Banco Central era apresentada como uma moeda digital oficial brasileira, mas de acordo com informações recentes, o projeto tem priorizado frentes ligadas à infraestrutura financeira, e não ao uso direto no varejo.
Agora, a proposta está mais concentrada em uma infraestrutura tecnológica capaz de viabilizar contratos inteligentes, tokenização de ativos e operações mais seguras no ambiente digital. Isso não significa que o projeto acabou: o Banco Central deu um passo atrás em algumas escolhas tecnológicas para repensar o caminho, principalmente pelos desafios de privacidade, sigilo bancário e segurança.
Neste artigo, você vai entender o que é o Drex, como foi cada fase do projeto, os principais desafios e como o Open Finance Santander já pode ajudar a modernizar sua vida financeira.
O que é Drex e como funciona?
O Drex, concebido originalmente como o Real Digital, nasceu como a proposta de moeda digital oficial do Brasil, também chamada de CBDC, sigla em inglês para moeda digital do Banco Central. A ideia era criar uma versão digital do real, com paridade de valor.
No entanto, o Banco Central reposicionou o projeto: em vez de lançar uma moeda digital de varejo para a população, o foco passou a ser a construção de uma infraestrutura para contratos inteligentes.
Os contratos inteligentes são regras programadas executadas automaticamente quando determinadas condições são cumpridas. Por exemplo: em uma compra de carro, o dinheiro só seria transferido quando a propriedade do veículo fosse registrada no nome do comprador.
Essa lógica é conhecida como "entrega contra pagamento": a tecnologia busca sincronizar o cumprimento das etapas da transação, com potencial de reduzir determinados riscos operacionais, atrasos e descumprimentos, sem dispensar controles e validações aplicáveis.
A inspiração técnica vem de tecnologias como blockchain, definida pelo Governo Digital como um livro-razão distribuído, resistente a alterações e organizado em blocos conectados por registros criptográficos. Ainda assim, como mostramos a seguir, o Banco Central precisou rever o uso dessa tecnologia.
Linha do tempo do Drex: o que foi cada fase do projeto
Antes de chegar ao desenho atual, o projeto percorreu etapas bem definidas:
• 2020 a 2022 são feitos os estudos do Real Digital: o Banco Central criou um grupo de trabalho e divulgou as primeiras diretrizes do projeto, ainda sob o nome de Real Digital;
• 2023, nasce o Drex e começa o piloto: o projeto ganhou o nome atual e passou a ser testado em uma plataforma de registro distribuído (DLT), com consórcios formados por bancos e outras instituições;
• Fase 1 do piloto (2023 a 2025): focou em privacidade, proteção de dados e segurança, testando a emissão, a transferência e a baixa do Drex de atacado (restrito às instituições) e do Drex de varejo, além de operações com Títulos Públicos Federais. O relatório final apontou viabilidade, mas limitações nas soluções de privacidade;
• Fase 2 (2024 a 2025): avaliou casos de uso propostos pelo mercado, como crédito com garantias, operações com veículos e imóveis e transações internacionais, executados por contratos inteligentes;
• Em 2025 tivemos mudança de rota: diante dos desafios técnicos, o Banco Central encerrou a plataforma de testes baseada em blockchain;
• 2026 em diante, nova fase: tende a priorizar a conciliação de gravames em uma infraestrutura mais simples, mantendo a tokenização como objetivo de longo prazo, conforme evolução regulatória e tecnológica.
O momento atual: a mudança de rota e a Fase 3
Como a linha do tempo mostra, o Banco Central interrompeu as duas primeiras fases de testes e deixou de lado, por ora, o modelo tecnológico baseado em DLT.
O motivo foi a dificuldade de conciliar dois pontos essenciais:
• Preservar o sigilo bancário e a privacidade das pessoas;
• Permitir que o Banco Central tenha visibilidade adequada das transações para fins regulatórios.
Esse equilíbrio é complexo: uma infraestrutura financeira dessa natureza deve buscar auditabilidade, eficiência e proteção de informações sensíveis, em linha com requisitos regulatórios e de governança.
Por isso, a próxima etapa deve ter outro foco: a conciliação de gravames. Na prática, isso pode permitir que ativos registrados em uma corretora sejam usados como garantia em operações de crédito, reduzindo custos e ampliando possibilidades de negociação.
Ainda assim, o objetivo final segue ligado à tokenização de ativos financeiros: transformar ativos (como títulos e recebíveis) em representações digitais que possam ser negociadas em ambientes tecnológicos regulados.
Quais são as desvantagens do Drex?
O Drex (antigo Real Digital) tem potencial para transformar operações financeiras, mas enfrenta desafios importantes. Um dos pontos levantados pelo mercado é que o projeto pode ter sido ambicioso demais ao tentar criar uma solução única para diferentes problemas ao mesmo tempo.
Além disso, a privacidade é um dos maiores obstáculos. Em redes públicas baseadas em blockchain, informações sobre saldos, posições e movimentações podem ficar mais expostas do que o desejado, algo especialmente sensível para grandes investidores, empresas e instituições, já que a exposição de posições relevantes poderia influenciar preços, estratégias e decisões de mercado.
Entre os principais desafios do Drex, estão:
• Garantir privacidade dos usuários;
• Preservar o sigilo bancário;
• Permitir supervisão regulatória adequada;
• Evitar exposição de posições financeiras sensíveis;
• Criar uma infraestrutura segura para diferentes tipos de ativos;
• Definir limites claros para o uso de contratos inteligentes.
Portanto, a discussão não é apenas tecnológica: envolve regulação, segurança, governança, privacidade e confiança no sistema financeiro.
Quanto vai valer 1 Drex?
A resposta segue o princípio que acompanha o projeto desde a época do Real Digital: a paridade de um para um. Ou seja, a ideia é de que 1 Drex equivalerá a R$ 1, sem cotação própria e sem variação de preço, já que se trata de uma representação digital do real, e não de um ativo de investimento.
O que mudou com o novo foco foi a função. O Drex deixa de ser pensado como moeda digital para compras do dia a dia e passa a ser tratado como moeda de liquidação dentro de uma infraestrutura financeira digital.
Na prática, isso significa que ele poderá ser usado para liquidar operações envolvendo ativos tokenizados, garantias, contratos inteligentes e transações condicionadas. Portanto, o valor acompanha o real, mas a função do Drex é mais específica, ou seja, seguindo essa lógica, não fará sentido falar em "comprar Drex" esperando valorização.
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Qual a diferença do Pix para o Drex?
A principal diferença está na finalidade. O Pix foi criado para pagamentos e transferências instantâneas do dia a dia. Já o Drex foca em operações condicionadas, em que o pagamento depende do cumprimento de uma regra ou da transferência de um ativo.
Confira a comparação:
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Pix |
Drex |
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Usado para pagamentos e transferências instantâneas. |
Focado em contratos inteligentes e liquidação de operações. |
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Funciona bem no dia a dia, como pagar uma conta ou transferir dinheiro. |
Pode ser usado em operações mais complexas, como compra de imóvel ou veículo. |
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Transfere dinheiro de uma conta para outra rapidamente. |
Pode condicionar a transferência ao cumprimento de uma regra. |
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Já está disponível para a população. |
Ainda está em fase de desenvolvimento e testes. |
Como no exemplo do carro citado no início: o dinheiro só seria transferido com o registro do veículo no nome do comprador, tornando a operação mais segura para todos.
Outro exemplo envolve automação: no futuro, dispositivos conectados poderiam, em determinados contextos e a depender de evolução regulatória, operacional e tecnológica, executar pagamentos automaticamente, seguindo regras pré-definidas em contratos inteligentes, sem depender necessariamente de cartões.
Ainda assim, o Pix continua sendo a solução para pagamentos instantâneos cotidianos: Drex e Pix não são a mesma coisa e não têm a mesma função.
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O Drex vai acabar com o dinheiro físico?
Não. A mudança no projeto do Drex não significa o fim do dinheiro em espécie. O objetivo da iniciativa é modernizar a infraestrutura financeira e ampliar possibilidades no ambiente digital, e não eliminar cédulas e moedas.
Além disso, como o foco atual deixou de ser um real digital, a proposta está menos ligada ao uso cotidiano pela população e mais relacionada a operações estruturadas, tokenização e liquidação de contratos. O dinheiro físico continua existindo, enquanto novas tecnologias seguem sendo estudadas para tornar determinadas transações mais seguras, eficientes e integradas.
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