Atualizado em Mon Jun 13 18:58:27 GMT-03:00 2022

por Equipe Santander

Um dos assuntos mais comentados em 2022 é a crescente inflação que o país está sentindo. Para calcular e entender esse fator, os economistas se utilizam de alguns indicadores e, um dos mais conhecidos, é o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Economia.

O que é o IGP-M?

É um índice que mede os preços de toda a economia real e avalia a diferença dos preços no mercado no período de um mês.

Por suas características, o índice é mais utilizado em determinadas situações, e uma das principais é a correção de preços nos valores de contratos de aluguel e de energia elétrica, além de atualização de tarifas públicas, planos de saúde, seguros e mensalidades escolares e de universidades.

Ao monitorar o índice, itens como comida, transporte e vestuários são avaliados para encontrar a variação de preços. Se os preços subirem muito, o indicador vai apresentar uma porcentagem maior. Abrange toda a população, sem restrição de nível de renda.       

Como é calculado o IGP-M

O IGP-M é calculado a partir de outros três índices de preços, cada um com um peso diferente. Quais são eles?

O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que corresponde a 60% do cálculo do IGP-M, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), com peso de 30% e o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), com 10%.

• Índice de preços ao Produtor Amplo (IPA) - Registra as variações de preços de produtos agropecuários e industriais em comercializações que acontecem antes da venda ao consumidor final.

• Índice de Preços ao Consumidor (IPC) - Avalia a variação de um conjunto fixo de bens e serviços que, normalmente, fazem parte da rotina de famílias brasileiras com renda média mensal entre 1 e 33 salários-mínimos.

• Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) – Acompanha os preços de materiais, serviços e mão de obra mais relevantes para a construção civil.

IGP-M é a inflação do aluguel?

Você deve saber que no fim de cada ano de contrato de aluguel, o proprietário do imóvel realiza um reajuste no valor cobrado. Esse valor a mais é calculado através do IGP-M, por isso, o índice ficou conhecido como a inflação do aluguel.

Porém, a indústria imobiliária do Brasil sofre com uma barreira há muito tempo: a falta de um indicador capaz de refletir de maneira mais precisa os preços dos aluguéis. Em tese, o utilizado é o IGP-M, mas este acompanha os preços do setor produtivo e sofre muita influência do dólar, assim, é pouco relacionado ao custo de moradia.

Entre 2020 e 2021, o IGP-M passou por uma grande alta, chegando a atingir um aumento de 37% em 12 meses. E essa foi a razão de muitas empresas recorrerem à Justiça para saber o que poderia ser feito. E algo foi feito. Muitos contratos optaram pela troca do IGP-M pelo IPCA para substituir a correção nos contratos de aluguel.

O IPCA, por sua vez, é outro índice utilizado na economia brasileira, pois mede a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços vendidos no varejo e que são consumidos pelas famílias brasileiras diariamente. Ou seja, também pouco conectado com o custo de moradia.

Com o objetivo de resolver o problema, em 2022, o Instituto Brasileiro de Economia lançou o IVAR, o Índice de Variação de Preços de Aluguéis Residenciais. A ideia é que o novo indicador seja calculado com base em dados coletados em contratos de quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte. O objetivo é encontrar um reflexo mais fiel do verdadeiro cenário de oferta e demanda do mercado de locação de imóveis.

O mercado vai, então, decidir se adota o novo índice daqui para frente para calcular os reajustes anuais. Seria, então, o fim do IGP-M como inflação do aluguel.

Como funciona o reajuste de aluguel?

Teoricamente, se o índice utilizado pela imobiliária ou proprietário subiu 10% no último ano, o preço do aluguel deveria subir 10% também. No entanto, é sempre possível negociar, caso a porcentagem do índice seja muito alta.

O importante é fazer com que as duas partes fiquem satisfeitas com o negócio. Por isso, preste sempre muita atenção no contrato, é preciso estar especificado como funcionará o reajuste, inclusive com o índice que será consultado para fazer a conta.

Se o reajuste estiver previsto em contrato, ele será previsível e você poderá se preparar financeiramente. Use sempre o bom senso e o diálogo, caso não tenha condições de arcar com o aumento. Apresente uma proposta de valor que você se sente confortável e apto para pagar.

Mas se você cansou de pagar aluguel e acha que chegou a hora de investir no seu imóvel próprio, saiba como um financiamento imobiliário pode te ajudar a conquistar a casa própria. 

 

Fonte: G1, Exame, Infomoney