Santander

Uma cidade para todos

Por que construir um espaço de atividades para crianças e jovens se a cidade inteira pode ser usada para aprender, para se movimentar e se divertir? Esteio (RS) decidiu aproveitar o que a cidade já dispunha para oferecer esporte e educação

Foto: Isadora Ferreira e Eduardo Barato Leonardi / divulgação
24/10/2019

Por que construir um espaço único de atividades para crianças e jovens se a cidade inteira pode ser usada para aprender, para se movimentar e se divertir? O município de Esteio (RS), ao criar o Programa Integrado de Inclusão Social (PIIS), decidiu abrir mão de investir em obras e olhou as possibilidades oferecidas pela própria comunidade.

Havia falta de equipamentos esportivos e de lazer. Mas sobravam praças, clubes, associações, ONGs e o amplo Centro de Artes e Esportes Unificado (CEU). Só era preciso encontrar gente disposta a oferecer os espaços e construir uma rede para integrar todos eles em um programa único.

Em 2017, a tarefa foi levada à frente por Tatiana Tanara Figueiredo, secretária municipal de Cidadania, Trabalho e Empreendedorismo da cidade gaúcha. Na cidade de 85 mil habitantes, há 14 mil crianças e adolescentes. “Implantamos um programa integrado para alcançar o maior número possível de crianças”, explica Tatiana.

Em conjunto com o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e as escolas da cidade, a secretaria mapeia e recebe a meninada para oferecer ações sociais, esportivas e educativas que previnam situações de risco social e fortaleçam o compromisso com a escola. A participação é livre e as atividades acontecem de segunda a segunda em vários locais da cidade.

Talentos no esporte

Atualmente, o projeto também contempla 250 participantes em cinco oficinas esportivas – capoeira, skate, psicomobilidade, rúgbi e jiu-jitsu. As duas últimas passaram a ser oferecidas em 2018, a pedido dos jovens.

Estimulada pelo interesse nessas modalidades, a secretaria estruturou um projeto e se candidatou a receber recursos incentivados por meio do Amigo de Valor. O aporte recebido possibilitou a abertura das duas novas oficinas e a compra do material necessário. “Não teríamos como atender 90 crianças sem esse aporte”, diz a secretária.

Divididos por idade, de 6 a 17 anos, crianças e adolescentes dedicam duas horas por dia, duas vezes por semana, ao aprendizado e treinamento. Os alunos já participam de competições no estado e a equipe de jiu-jítsu começou a colecionar medalhas.

Destaque

"Se não fosse a oportunidade oferecida pelo programa, os talentos que vejo não teriam se desenvolvido. "

Juliano Firpo

Professor da oficina de jiu-jítsu

Mais do que uma simples luta, a modalidade transmite ensinamentos que se levam para a vida e tem potencial para transformar crianças e adolescentes. “Eles chegam muito indisciplinados”, diz Juliano, “e vão assimilando valores como disciplina, gentileza, lealdade, higiene, persistência”.

 Por ser um esporte que alia o desenvolvimento corporal e o cognitivo, o jiu-jítsu ajuda muito no fortalecimento da autoestima, segundo o professor. Nas falas dos alunos, surgem histórias comoventes. Um parou de brigar na escola e diz que a luta o acalma. Outro, deixou de sofrer bullying pela mudança da postura física e a autoconfiança que passou a transmitir. “São crianças que não desistem, têm mais garra se comparadas com alunos de escola particular onde leciono".

Avaliação de resultados

Para avaliar os resultados do projeto, a secretaria definiu indicadores que são verificados em entrevista, explica o supervisor da secretaria, Israel da Silva. “Quando as crianças começam nas oficinas, avaliamos individualmente o desenvolvimento cognitivo, físico, os vínculos familiares e o rendimento escolar.” A segunda etapa, para conferir se as metas foram alcançadas, será aplicada no final de 2019.

Segundo Israel, muita coisa que vem sendo implementada no projeto resultou das capacitações oferecidas pelo programa Amigo de Valor. “A parceria foi muito importante para Esteio. Além das oficinas de alta qualidade sobre produção e execução de projetos sociais, construímos relações com ONGs de todo o país e tivemos a oportunidade de conhecer outras formas de trabalhar.”

Como o modelo concebido para o projeto facilita a ampliação contínua da oferta de atividades, as crianças e adolescentes de Esteio podem contar com dias muito produtivos, ocupados com jogos, brincadeiras e novidades. E, assim, se constrói uma cidade que acolhe e oferece oportunidades para os adultos de amanhã.