Risco socioambiental chega ao varejo - Santander

Risco socioambiental chega ao varejo do Santander

Banco expande a análise de risco socioambiental para médias empresas, passando a avaliar potenciais impactos de companhias com faturamento de entre R$ 20 milhões e R$ 200 milhões.

O ano de 2018 começou com avanços na área de risco do Santander Brasil. Desde janeiro, a Política de Risco Socioambiental foi estendida a empresas de médio porte atendidas pela área de Varejo do Banco. Companhias com faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 200 milhões, que fazem parte de 14 setores de atenção (abaixo) e têm risco ou limite de crédito superior a R$ 5 milhões, agora terão seus potenciais impactos negativos no meio ambiente e na sociedade analisados.

Ao renovarem seus limites de crédito, essas empresas responderão ao Questionário Socioambiental. Ele é formado por um conjunto de questões que incluem o uso da água, medidas para combate às mudanças climáticas, existência de áreas contaminadas ou degradadas, autuações ambientais e trabalhistas e gestão da cadeia de fornecimento, por exemplo.

Uma equipe de profissionais com formação em biologia, geologia, engenharia ambiental, engenharia química e engenharia de saúde e segurança avalia as respostas dadas pelos clientes e faz uma varredura em fontes públicas de informação – como sites de órgãos ambientais e trabalhistas e notícias que envolvam problemas ambientais e denúncias de trabalho escravo, por exemplo. Ao final, esse trabalho pode resultar no estabelecimento de condições ou restrições para que a empresa opere com o Banco.

Minimizando riscos

“Nossa análise procura mitigar o risco de não pagamento de financiamento em decorrência de problemas socioambientais. Reduzimos, também, o risco reputacional e de imagem relacionado ao financiamento de atividades que possam trazer prejuízos ao meio ambiente e à sociedade”, explica Christopher Wells, responsável pela área de Risco Socioambiental do Santander.

Segundo Christopher, o banco vem se preparando há cerca de três anos para ampliar a abrangência da análise de risco socioambiental para o Varejo. O processo foi finalizado ao longo de 2017, com o treinamento de mais de 600 gerentes comerciais, analistas de crédito e equipes das áreas operacionais.

A expectativa é que a medida aumente em 50% o número de companhias avaliadas sob o viés socioambiental na concessão de empréstimos ou financiamentos. Em 2017, um total 2.051 clientes dos segmentos Corporate e Global Corporate Banking, com faturamento acima de R$ 200 milhões, foram analisados. Desse total, 1.998 foram aprovados e 35 foram aprovados com ressalvas, num processo em que o Santander faz recomendações de melhorias e acompanha as medidas implementadas pelas empresas. Outros 18 clientes foram declinados por não acatarem as condições apresentadas pelo banco.

Pioneirismo

A adoção de critérios socioambientais na avaliação de risco foi implementada pelo banco em 2002. Na época, a iniciativa foi considerada uma prática pioneira no mercado financeiro nacional e, desde então, vem sendo aprimorada. A partir de maio de 2016, por exemplo, o resultado da avaliação passou a influenciar a nota de crédito (rating) dos clientes do Corporate, afetando as condições de oferta de empréstimos, como taxas, limites, prazos e exigências de garantias.

No Atacado (segmentos Global Corporate Banking e Corporate), além da concessão de crédito a clientes com risco ou limite de R$ 5 milhões e acima, a política é aplicada na aceitação e manutenção de clientes. Já nas operações de Project Finance, o Santander utiliza os Princípios do Equador, que estabelecem padrões socioambientais para o financiamento de grandes projetos, como a construção de rodovias e hidrelétricas. Operações relacionadas a projetos, mas que não estão na estrutura de Project Finance também são analisadas do ponto de vista socioambiental.

Setores de atenção

Tanto no Atacado quanto no Varejo, a análise de risco socioambiental é aplicada às empresas com atuação em 14 setores mais vulneráveis às questões sociais e ambientais. São eles:

1. Prospecção, exploração de petróleo ou gás natural; distribuidores e postos de combustíveis
2. Mineração
3. Metalurgia, siderurgia, ferro gusa e galvanoplastia
4. Madeireira, serraria, desdobramento, movelaria e comércio
5. Geração, transmissão e distribuição de energia
6. Indústria
7. Agricultura e pecuária
8. Hospitais e laboratórios
9. Saneamento, captação e tratamento de água e esgoto, coleta, tratamento, reciclagem e disposição de resíduos sólidos domésticos, industriais e hospitalares
10. Transportes, depósitos e terminais, exceto de passageiros
11. Construção civil
12. Construtoras e incorporadoras
13. Pesca e aquicultura
14. Uso da diversidade biológica, silvicultura e subprodutos florestais

A abordagem é inclusiva: quando são identificados problemas, o cliente é orientado a solucioná-los e pode contar com as linhas de financiamentos com ênfase socioambiental oferecidas pelo banco. Estão disponíveis, também, linhas especiais para financiar técnicas de baixo carbono e de menores impactos ambientais no agronegócio.

“Embora o clientes do Varejo sejam menores, essas empresas também podem oferecer riscos que, potencialmente, podem afetar o Banco, as pessoas e o meio ambiente. Quando damos atenção a eles, podemos influenciar mudanças positivas na sociedade”, diz Christopher Wells, responsável pela área de Risco Socioambiental do Santander Brasil.