O que é PIB e como ele é usado na economia

Por Equipe Santander • 16 Maio, 2024 • 5 min Leitura

Financas Pessoais

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Tire todas as suas dúvidas sobre o Produto Interno Bruto e descubra por que ele é relevante para mensurar o crescimento econômico de um país.

Você acompanha o noticiário, escuta que o PIB cresceu ou recuou alguns pontos percentuais e fica com a sensação de que aquele número diz algo importante a respeito do seu bolso. Esse pensamento tem lógica, já que o PIB é um indicador que conversa diretamente com emprego, preços e até com o rendimento das suas aplicações.

O Produto Interno Bruto funciona como um termômetro da economia. Ele mede quanto uma cidade, estado ou país produziu em determinado período e serve de referência para governos, empresas e investidores tomarem decisões que atingem toda a sociedade. Entender a importância desse número permite escolhas mais inteligentes no dia a dia.

Neste conteúdo, você vai entender o que é PIB, como o cálculo do Produto Interno Bruto é feito, quais são os tipos existentes, o que significa PIB per capita e de que forma tudo isso se conecta às suas escolhas financeiras. Boa leitura

O que é PIB? 

O PIB, ou Produto Interno Bruto, é o indicador que mede o valor em dinheiro de todos os bens e serviços finais produzidos em uma região (cidade, estado ou país) dentro de um período determinado, normalmente um trimestre ou um ano.

Em outras palavras, ele representa a soma dos produtos gerados para venda no mercado em todos os setores da economia, da indústria e da prestação de serviços até a agricultura.

O indicador também abrange o lado da demanda, com os gastos de consumo das famílias, investimentos das empresas, gastos do governo e exportações líquidas (ou seja, exportações menos importações).

É importante destacar que o PIB não se refere ao total da riqueza existente em um país, como um tipo de tesouro nacional ou estoque de valor de determinada região. Ele apenas indica o fluxo de novos bens e serviços finais produzidos em um período. Se nada for produzido, o PIB será nulo.

Qual é o PIB do Brasil?

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB brasileiro alcançou R$ 12,7 trilhões em 2025, com crescimento de 2,3% no acumulado dos quatro trimestres do ano. Esse número reflete a recuperação do consumo interno e a força de setores produtivos ao longo do período analisado.

Para entender a dimensão desse resultado, pense da seguinte forma: cada real movimentado em compras, contratações de serviços ou em vendas de safras entra nessa conta. Logo, o crescimento de 2,3% indica que a economia produziu mais bens e serviços em 2024 do que no ano anterior, descontado o efeito dos preços.

Vale destacar que o acompanhamento do Produto Interno Bruto acontece de forma contínua. O IBGE divulga os resultados trimestrais e revisa as séries anuais, permitindo que agentes econômicos realizem comparações entre os períodos e identifiquem tendências de aceleração ou desaceleração.

Como o PIB é calculado? 

Cada país calcula seu PIB de acordo com a sua respectiva moeda e, no Brasil, essa tarefa fica com o IBGE, que divulga os dados a cada três meses.

O cálculo soma o valor dos bens e serviços a partir do preço que chega ao consumidor final, o que evita a duplicidade na contagem. Um exemplo prático deixa isso claro: caso tenham sido produzidos R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, o PIB considerado será de R$ 300, já que o valor dos insumos está embutido no produto ofertado ao consumidor.

Na prática, para calcular o PIB brasileiro, o IBGE combina dados próprios com informações de fontes externas, como o Banco Central (BC), a Receita Federal e a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Entre os principais índices que compõem o cálculo estão os balanços de pagamentos, que registram transações internacionais e recebimento de recursos externos, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Pesquisa Anual do Comércio (PAC), entre outros.

 Existem três abordagens possíveis para calcular este valor, e todas chegam ao mesmo resultado. São elas:

  1. Abordagem da produção ou oferta: somam-se os valores agregados brutos obtidos em uma localidade, incluindo indústria, setor de serviços e agropecuária.
  2. Abordagem da demanda: o cálculo parte do consumo, considerando os gastos das famílias, do governo, as despesas das empresas, além de exportações e importações.
  3. Abordagem da renda: aqui a base são os rendimentos gerados na economia, com a soma de salários, juros, lucros distribuídos e aluguéis. 

Qual a diferença entre PIB nominal e PIB real?

Existem dois tipos de cálculo do PIB que fazem diferença na análise ao longo do tempo, que é o caso do PIB nominal e PIB real:

  1. PIB nominal: considera os preços dos produtos e bens vigentes no momento em que foram produzidos e comercializados. As variações de preços de mercado entram na conta, refletindo o impacto da inflação ou da deflação.
  2. PIB real: utiliza preços constantes, isto é, o valor do produto ou serviço sem o efeito inflacionário. Esse formato reflete o crescimento efetivo da produção e minimiza a influência das flutuações de preço.

Dessa forma, quando o noticiário informa que ‘o PIB cresceu 2,9%’, a referência costuma ser o PIB real, justamente porque ele isola o efeito dos preços e mostra o ganho real de produção.

Leia também: O que é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)?

O que é o PIB per capita?

Outro conceito que merece atenção é o PIB per capita, ou PIB por pessoa. Esse indicador é obtido quando dividimos o valor do PIB pelo número de habitantes do município, país ou estado que está sendo analisado.

O resultado representa o valor médio que cada indivíduo daquela região teria do total de riquezas produzidas, caso todos recebessem partes iguais. Trata-se de uma média estatística, útil para comparações internacionais de padrão de vida.

É justamente pelo PIB per capita que percebemos as limitações do indicador. Ele deixa de fora fatores como distribuição de renda, qualidade de vida, saúde e educação, além de não englobar atividades sem registro formal, como serviços prestados de maneira autônoma e informal. 

Na prática, isso significa que um país com PIB elevado não necessariamente tem uma população que vive bem; assim como uma região com um indicador pouco expressivo pode ter indivíduos com melhor qualidade de vida. 

O que gera o PIB do Brasil? 

A produção nacional resulta da combinação de diferentes setores da economia que movimentam o mercado interno e externo. São eles o setor de serviços, a indústria e a agropecuária.

Os serviços representam a maior fatia da economia nacional e incluem comércio, transporte, saúde, educação e atividades financeiras. Já a indústria reflete construções civis, fábricas, energia, água e extração de minerais. Por fim, a agropecuária envolve lavouras, pecuária, pesca e produção de grãos, carnes, entre outros.

O consumo das famílias é o que impulsiona grande parte dessa engrenagem; enquanto os gastos governamentais em infraestrutura e exportações complementam isso. É por isso que quando esse consumo familiar esfria, o resultado geral sente o impacto, ainda que a agropecuária tenha tido uma boa safra. 

Por que o PIB é importante?

Acompanhar esse índice é indispensável para compreender a saúde econômica do país e antecipar tendências de mercado. O monitoramento contínuo traz vantagens claras para o planejamento, como:

  • Avaliação da evolução da economia: a comparação ano a ano mostra se a economia está crescendo e se a produção de bens e serviços avança ou recua.
  • Comparação e análise: o PIB permite dimensionar o desempenho e o tamanho de diferentes países e regiões sob a mesma régua.
  • Apoio para criação de políticas públicas: governos usam o indicador para formular políticas econômicas e definir prioridades, como investimentos em infraestrutura e programas sociais.
  • Atração de investimentos: um PIB alto sinaliza produção e consumo em larga escala, tornando o mercado mais atrativo para empresas nacionais e estrangeiras.

Em resumo: se o PIB está positivo, isso tende a favorecer a geração de emprego, o aumento de renda e novas oportunidades de negócio. Já uma queda em relação ao período anterior indica menos produção e comércio, o que reduz a confiança de investidores nacionais e internacionais e abre espaço para períodos de recessão.

O PIB impacta nos investimentos? 

Sim. O resultado do Produto Interno Bruto influencia as decisões de investimento porque sinaliza o ritmo da economia e o espaço que as empresas têm para crescer.

Com o PIB em expansão, novos negócios são realizados, o emprego avança, os salários tendem a subir e a economia se mantém aquecida. Com o cenário favorável, empresas do exterior são atraídas e isso melhora a percepção de risco do país.

Ainda assim, vale um cuidado: um PIB positivo indica possibilidades, e não garante rentabilidade proporcional nas suas aplicações. Diversos fatores influenciam os resultados, como a taxa Selic, o comportamento da inflação, o cenário internacional e, principalmente, a estratégia escolhida por cada investidor.

Por isso, acompanhar o PIB faz sentido dentro de uma leitura mais ampla, combinada com outros indicadores como o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado),e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Agora você sabe o que é PIB, como o cálculo acontece, qual a diferença entre a versão nominal e a real, o significado do PIB per capita e o tamanho da economia brasileira. Continue aprendendo com o Blog Santander e descubra outros temas que impactam o seu bolso e a sua qualidade de vida.


Fonte: IBGE, Infomoney, CNI (Confederação Nacional da Indústria)

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